Porto Alegre, 28 jan (EFE).- Organizações que participam do Fórum Social Mundial anunciaram hoje uma campanha global contra as bases militares estrangeiras e a infiltração do serviço secreto americano na América Latina e no Caribe.

Os ativistas têm como alvo principal as bases que as tropas dos Estados Unidos poderão usar na Colômbia e no Panamá por meio de acordos com os Governos de ambos os países.

Eles disseram ainda que a campanha será similar à mantida contra a Área de Livre-Comércio das Américas (Alca), projeto de Washington engavetado há alguns anos.

No ato em que a campanha foi anunciada, foi divulgado um manifesto que diz que, "diante da nova escala de agressões do imperialismo" contra "o processo de mudanças que se vive na América Latina", é necessário preparar "a mobilização para a resistência".

Segundo o documento, "a invasão do Haiti depois do terremoto (do último dia 12), a reativação da IV Frota (Naval dos EUA), as iniciativas golpistas apoiadas pelos americanos em Honduras, o bloqueio a Cuba e as agressões contra Venezuela, Bolívia e outros países" revelam "as intenções imperiais" de Washington em relação à América Latina.

Além disso, ressaltam que "os atentados à paz" promovidos pelo Governo americano se reforçam em outras regiões do mundo, com "um maior número de tropas na Ásia Central e no Iraque, que continua em chamas, e na Palestina ocupada, cujo povo continua sendo vítima de um genocídio".

A iniciativa foi promovida pela organização brasileira Cebrapaz e recebeu o apoio de inúmeros grupos do Fórum Social Mundial, como a Viaa Campesina, a Plataforma de Direitos Humanos da Argentina e a Marcha Mundial das Mulheres.

Organizações bolivianas propuseram que a Cúpula Mundial de Movimentos Sociais sobre a Mudança Climática, que o presidente boliviano, Evo Morales, quer realizar em Cochabamba entre 19 e 22 de abril, também seja palco de protestos contra as bases dos EUA na América Latina e no Caribe.

Por sua vez, o paraguaio Daniel Amado, da organização La Comuna, sugeriu aos ativistas prepararem um grande mobilização em Assunção, que, em meados de agosto, abrigará o Fórum Social da América.

Também ficou decidido que a campanha contra as bases estrangeiras será promovida em todos os eventos que o Fórum Social Mundial realizar ao longo de 2010, em cerca de 30 países. EFE ed/sc

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