Ativistas driblam segurança e protestam no estádio de Pequim

Apesar do forte esquema de segurança montado para a Olimpíada em Pequim, um grupo de quatro manifestantes conseguiu driblar o controle na manhã desta quarta-feira e protestou na frente do estádio nacional olímpico, também conhecido como Ninho de Pássaro. Os quatro ativistas pertencem à organização não-governamental baseada nos Estados Unidos Students for a free Tibet (Estudantes por um Tibete Livre).

BBC Brasil |

O grupo de manifestantes formado por cidadãos britânicos e americanos foi detido após levantar bandeiras do Tibete e exibir duas faixas de 13 metros quadrados.

As faixas continham os dizeres "O Tibete será livre" e "Um mundo, um sonho: Tibete livre", numa referência ao slogan oficial dos jogos que é "Um mundo, um sonho".

Segundo a organização, os ativistas permaneceram na frente do estádio por quase uma hora até serem detidos pela policia chinesa. Não é sabido para onde os ativistas foram levados depois de presos.

A manifestação ocorre a apenas dois dias da abertura oficial dos Jogos de Pequim e poucas horas depois da passagem da tocha Olímpica pela Praça da Paz Celestial, no centro da capital.

Em um comunicado de imprensa a entidade acusou o governo da China de utilizar os Jogos Olímpicos para "encobrir a repressão violenta sobre os tibetanos".

"Por anos o governo chinês tem tentado utilizar a Olimpíada para legitimar a ocupação ilegal do Tibete", acusou Lhadong Tethong, diretor executivo da ONG.

O governo da China não se manifestou imediatamente após o incidente. O porta-voz do comitê de organização dos Jogos de Pequim (Bocog, na sigla em inglês), Sun Weide, condenou os protestos e disse que os americanos e britânicos estão sendo investigados pela polícia.

A prefeitura de Pequim chegou a designar áreas específicas para protestos dentro dos parques Zizhuyuan, Ritan e World Park, que ficam no noroeste, leste e sudoeste da cidade.

Entretanto, antes de organizar uma manifestação é exigido dos ativistas que encaminhem com cinco dias de antecedência um pedido de licença à polícia.

Diversas ONGs reclamaram que as áreas não são próximas aos lugares mais visados e muitos grupos foram detidos depois de submeter pedidos de permissão, revelando a intenção de seus protestos.

Problemas
Às vésperas da Olimpíada, tudo que Pequim não quer é enfrentar constrangimentos com protestos e problemas de segurança.

Na segunda-feira as autoridades foram sacudidas pela notícia de um atentado na região muçulmana de Xinjiang, no noroeste do país.

Dois homens jogaram granadas e depois atacaram com facas um grupo de policiais, deixando 16 mortos.

Na seqüência, dois jornalistas japoneses que tentaram ter acesso à região apanharam de policiais que tinham ordens de não deixar a imprensa passar.

Masami Kawakita, repórter fotográfico do diário Chunichi Shimbun, e Shinjo Katsuta, repórter de vídeo do canal Nippon Television Network, foram detidos na cidade de Kashgar e levados até um hotel, onde foram agredidos e tiveram os equipamentos quebrados.

A agência de notícias estatal Xinhua, informou que as autoridades chinesas se desculparam pelo incidente, mas ressaltaram que os jornalistas estavam agindo fora da lei.

"Jornalistas são proibidos na área controlada pela polícia de fronteira, mas os dois desobedeceram a ordem", justificou o secretário administrativo do escritório regional de assuntos externos em Kashi, identificado apenas pelo nome de Eskar.

O governo da China prometeu pagar os gastos médicos dos jornalistas e pagar uma compensação pela agressão e quebra dos equipamentos.

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