María Peña Washington, 10 mai (EFE).- Mulheres ativistas da Colômbia pediram hoje ao Congresso dos Estados Unidos para rejeitar o Tratado de Livre-comércio (TLC) com seu país porque, segundo elas, permanece um clima hostil contra os sindicatos e o pacto agravará a pobreza entre as mulheres.

Em entrevista à Agência Efe, três mulheres ativistas, que promovem a campanha "Comércio com justiça: meus direitos não são negociáveis", afirmaram que o Tratado de Livre-Comércio (TLC) com a Colômbia agravará a situação dos direitos humanos e trabalhistas, que afeta especialmente às mulheres.

Segundo apontaram, 55 de cada 100 colombianas vivem na pobreza e 14 delas são chefes de família. Além disso, uma grande parte das mulheres integra a economia submergida ou sobrevivem com magros salários.

As ativistas acrescentaram ainda que a realidade mostrada pelo Governo da Colômbia aos legisladores americanos que viajaram a Medellín ou Bogotá é uma "realidade incompleta".

Clara Gómez, membro da Escola Nacional Sindical; Aura Rodríguez, diretora-executiva da ONG Corporación Cactus; e Virgelina Chará, uma mulher negra que representa a "Asomujer y Trabajo", apresentaram as queixas sobre o impacto do TLC na economia e na sociedade civil.

Segundo elas, suas vidas correm perigo por estarem fazendo essas denúncias, mas insistiram na necessidade de não se aprovar o TLC, durante uma reunião realizada ontem com assessores de vários congressistas, realizada pela Oxfam America e o Escritório de Washington para a América Latina.

Em uma tensa discussão, seus argumentos sobre a assimetria do TLC foram refutados pelo deputado do departamento colombiano de Valle del Cauca, Christián Garcés.

Em declarações à Efe, Garcés disse que o TLC é "um esquema muito melhor do que ficar pedindo aos EUA dinheiro e outros tipos de ajuda... todas as empresas, pequenas, grandes ou médias, estão tentando competir com as norte-americanas".

"A Colômbia é um país violento e com muita pobreza, mas o TLC vai atrair mais investimentos a nosso país, que gerarão postos de trabalho. Esse é o caminho", enfatizou Garcés.

O deputado afirmou que "a guerrilha e o paramilitarismo existem como conseqüência da pobreza que existe nas áreas rurais" e eles se "beneficiariam da rejeição do TLC." A campanha das mulheres é diametralmente oposta à do Governo colombiano, apoiado por Washington e pelo setor empresarial de ambos os países, que defende o TLC, assinado em novembro de 2006.

Nas visitas a Washington, os funcionários de alto escalão da Colômbia destacaram, sobretudo, a redução dos homicídios e seqüestros e melhoras na segurança no país.

No meio do debate, os democratas se mantêm irredutíveis em sua idéia de congelar indefinidamente a votação do TLC.

"A campanha é impulsionada por 36 organizações porque acreditamos que o TLC aumentará o conflito armado, o índice de pobreza entre as mulheres e deixará os direitos mais vulneráveis", explicou Gómez.

Segundo as ativistas, entre janeiro e abril deste ano, 24 sindicalistas foram assassinados, quatro desapareceram e houve uma tentativa de assassinato, "uma realidade que não se pode esconder".

Rodríguez rejeitou as acusações do Governo colombiano que as ONG realizam uma campanha de falsidades. "Não estamos inventando nada, os argumentos contra (o TLC) também são reais e são verificáveis", afirmou.

Chará, que disse ter sido vítima em três ocasiões do deslocamento interno causado pelo conflito armado, advertiu que aprovar o TLC "seria ratificar todo tipo de violação dos direitos humanos". EFE mp/fb

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