Dois barcos transportando 46 ativistas de direitos humanos, que saíram na sexta feira do Chipre, foram recebidos por milhares de pessoas neste sábado na Faixa de Gaza. O acesso dos barcos Liberty e Free Gaza não foi impedido pelas tropas isralenses, que impõem um bloqueio à região há 14 meses.

As autoridades israelenses, que haviam advertido os ativistas contra a viagem à Faixa de Gaza, optaram por não impedir a passagem dos barcos.

De acordo com o porta voz do ministério das Relações Exteriores de Israel, Aviv Shiron, o governo decidiu evitar qualquer contato entre os barcos da Marinha israelense e os barcos dos ativistas.

"Nós sabemos o que há nos barcos e quem são os passageiros, portanto decidimos não impedir sua entrada", afirmou o porta-voz.

Pane eletrônica
O Liberty e o Free Gaza saíram do Chipre na manhã da sexta-feira, com o objetivo de romper simbolicamente o bloqueio imposto por Israel desde que o Hamas tomou o controle da Faixa de Gaza, em junho de 2007.

A viagem durou cerca de 32 horas. Na manhã deste sábado, todos os sistemas eletrônicos dos dois barcos, tanto de comunicação como de navegação, teriam entrado em colapso.

Os ativistas a bordo enviaram uma mensagem de emergência, por um telefone por satélite, dizendo terem sido "vítimas de sabotagem eletrônica".

Os barcos teriam ficado incomunicáveis por 5 horas e sofrido problemas com o sistema de navegação.

A porta-voz do movimento, Angela Angela Godfrey-Goldstein, culpou as autoridades israelenses pela pane nos sistemas dos barcos.

"Nessas circunstâncias, a própria vida dos ativistas a bordo ficou seriamente ameaçada", disse Goldstein à BBC Brasil.

No entanto, o Exército israelense negou qualquer envolvimento no episódio.

'Objetivo político'
Os ativistas a bordo, pertencentes ao movimento Liberdade para Gaza, são de 17 países diferentes, entre eles Estados Unidos, Grã Bretanha, Alemanha, Grécia, Israel e Territórios Palestinos.

O ativista israelense, Jeff Halper, disse nesta sexta-feira à BBC Brasil que o objetivo da viagem "não é humanitário, mas sim político".

"Não estamos levando alimentos ou medicamentos, mas ativistas de direitos humanos que querem protestar contra o cerco imposto à população de Gaza há mais de um ano", disse Halper.

Segundo Paul Larudee, que é um dos fundadores do movimento, se trata de "uma luta por um direito humano básico, o direito dos palestinos de ir e vir, de sair e entrar na Faixa de Gaza".

A porta-voz do grupo, Angela Godfrey-Goldstein, disse neste sábado que "agora o governo israelense deve ficar ciente que sim, o mundo se importa, a sociedade civil tem uma voz e esta voz está dizendo 'não'."
'Prisão chamada Gaza'
"Os seres humanos têm direitos que são sagrados, e as pessoas estão dispostas a defendê-los, onde quer que estejam, até na prisão chamada Gaza", afirmou Goldstein.

Vinte barcos de pescadores palestinos que tinham tentado sair para receber o Liberty e o Free Gaza no mar, tiveram que retornar, depois que navios da Marinha israelense dispararam tiros de advertência.

O líder do Hamas na Faixa de Gaza, Ismail Hania, expressou satisfação com a chegada dos barcos e chamou "mais ativistas a virem protestar contra o bloqueio injusto imposto à população da Faixa de Gaza".

De acordo com a Agência de Refugiados das Nações Unidas, a população da Faixa de Gaza, de cerca de 1,5 milhão de habitantes, sofre falta de produtos básicos, inclusive alimentos, medicamentos e combustíveis.

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