Ativista Vandana Shiva chama modelo de desenvolvimento indiano de catástrofe

Zaragoza (Espanha), 6 jul (EFE).- A ativista indiana Vandana Shiva definiu hoje como uma catástrofe o modelo de desenvolvimento econômico da Índia, pois funciona apenas para algumas pessoas enquanto milhões comem menos e têm menos água.

EFE |

Em entrevista concedida à Agência Efe em Zaragoza, na Espanha, a escritora e cientista criticou duramente o desempenho da economia do mundo em geral, mas particularmente da Índia.

No caso de seu país, disse que o que muitos consideram um milagre econômico é um desastre, principalmente porque aconteceu à custa da natureza, de seus processos ecológicos e dos ecossistemas vitais.

Shiva acredita que a evolução da economia indiana nos últimos anos, com crescimento que alcança 9%, é "muito violento" e "uma catástrofe", pois só funciona para "algumas pessoas que se apropriaram do mundo de milhões de pessoas, de sua forma de vida, de sua água e inclusive de sua terra".

Enquanto isso, milhões de pessoas "comem menos e têm menos água para beber", muitas comunidades são obrigadas a deixar suas terras para que outra fábrica possa se instalar e milhares de produtores rurais lutam nos arredores de Nova Délhi contra os projetos de transformar suas terras em zonas urbanas, denunciou.

Outra questão citada por Shiva é a crise mundial de alimentos.

Segundo a ativista, essa é uma "crise de especulação e distribuição" causada "pelo homem" e que se baseia na "falsa integração das economias locais em uma economia global", onde "cinco gigantes controlam os preços em nível mundial".

Shiva também afirmou que o desenvolvimento de biocombustíveis também tem sua parcela de culpa no crescimento da demanda de cereais, inclusive mais do que o aumento da população.

"É o momento de o crescimento econômico deixar de ser ecologicamente cego e voltar a suas raízes", disse Shiva, que ficou famosa nos anos 70 ao impedir a derrubada indiscriminada de florestas de seu país com seus abraços às árvores, junto com centenas de mulheres do movimento "chipko". EFE rco/wr/an

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG