Ativista: "Soldados de Israel desceram atirando"

Relatos de testemunhas contradizem versão israelense sobre ataque contra frota humanitária; ação ocorreu em águas internacionais

iG São Paulo |

"Amparados pela escuridão, os soldados israelenses saltaram do helicóptero no barco turco 'Mavi Marmara' e começaram a disparar no momento em que pisaram no convés", disseram os ativistas pró-palestinos que presenciaram a invasão à frota de ajuda humanitária que se dirigia a Gaza .

Os testemunhos, obtidos em ligações telefônicas realizadas antes de fossem cortadas, contradizem a versão das autoridades israelenses, que culpam os militantes que iam a bordo da flotilha pelo início da violência . Um dos soldados chegou a afirmar não ter tido escolha a não ser disparar durante a ação . A versão foi corroborada pelo primeiro-ministro israelense, Benyamin Netanyahu, que afirmou que os soldados agiram em legítima defesa.

A ação teria deixado pelo menos nove mortos e vários feridos, incluindo entre sete a dez soldados, dois deles com gravidade, anunciou o Exército israelense. A brasileira Iara Lee estava em um das embarcações que integravam a frota de ajuda humanitária a Gaza. Ainda não está claro se ela está entre os mortos.

"Dispararam diretamente contra a multidão de civis adormecidos", acusou o movimento Gaza Livre, organizador da Frota da Liberdade, em um comunicado divulgado em seu site, após a invasão do "Mavi Marmara", o barco-almirante turco do comboio.

O "Mavi Marmara" transportava centenas de pessoas. A operação, qualificada de ato de "pirataria" pelos palestinos, ocorreu em águas internacionais, muito antes das 20 milhas que delimitam as águas territoriais da Faixa de Gaza.

"Não pudemos contactar ninguém a bordo desde as 3h30 da manhã (21h30 de Brasília)", declarou à AFP Greta Berlin, uma das organizadoras. "A última mensagem que recebemos foi: Tudo está bem, os barcos de guerra israelenses encontram-se atrás de nossa popa, vamos dormir."

O Exército israelense lançou o ataque às 4h00 (22h de Brasília) de três helicópteros apoiados por barcos, segundo um importante responsável militar israelense.

"Telefono escondido, centenas de soldados israelenses atacaram a Frota da Liberdade e os passageiros do barco em que me encontro estão se comportanto com muita valentia", contou uma testemunha, o jornalista da televisão Al Jazeera Abas Nasser, em sua última ligação. "O capitão de nosso barco está gravemente ferido e há outros dois feridos entre os passageiros", acrescentou, antes que a comunicação fosse cortada.

Em "Mari Marmara", um líder islamista radical árabe israelense, Raed Salah, teria sido gravemente ferido segundo a televisão Al-Aqsa, do grupo islamista palestino Hamas, que controla a Faixa de Gaza. O escritor sueco Henning Mankell também se encontrava no comboio humanitário, segundo a delegação sueca da organização.

Um membro dos comandos da Marinha israelense contou que sua unidade foi atacada assim que chegou ao barco. "Eles nos atacaram com barras metálicas e facas", explicou. "Em certo momento, fomos alvo de disparos de balas reais", acrescentou.

Vários soldados foram expulsos do deque de cima para o de baixo e precisaram saltar na água para salvar suas vidas, declarou esse soldado, que afirmou que havia cerca de 30 ativistas que falavam árabe. "Não era espontâneo, estavam preparados", disse um alto comandante militar israelense.

Imagens do barco turco divulgadas pelas redes de televisão internacionais e pela internet mostram militares israelenses vestidos de negro que saem de helicópteros, assim como confrontos com ativistas pró-palestinos. Também podem ser vistos feridos deitados no convés e uma mulher transportada numa maca.

"As imagens não são simpáticas, não posso mais que expressar meu pesar por todos os mortos", admitiu o ministro de Indústria e Comércio israelense, Binyamin Ben Eliezer.

*AFP e Reuters

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