Ativista indiano Hazare inicia nova greve de fome contra corrupção

Anna Hazare irá jejuar por três dias para exigir que o Parlamento da Índia endureça uma lei anticorrupção aprovada recentemente

iG São Paulo |

O ativista Anna Hazare iniciou nesta terça-feira na cidade de Mumbai uma nova greve de fome para exigir que o Parlamento endureça uma lei anticorrupção aprovada recentemente pelo governo.

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AP
Médico examina ativista indiano Anna Hazare, enquanto ele se prepara para o primeiro de três dias de greve de fome

Segundo a imprensa local, Hazare irá jejuar durante três dias em um complexo da autoridade municipal de desenvolvimento situado no bairro de Bandra, no noroeste da metrópole, onde chegou na noite desta segunda-feira acompanhado por centenas de seguidores.

As autoridades colocaram na região 2 mil agentes e 200 subinspetores da polícia, assim como grandes contingentes de outros corpos das forças de segurança, informou a agência oficial "PTI". "Não gosto de greves de fome, mas a inação do governo e sua falta de vontade para reduzir a corrupção me forçam a fazê-las", disse Hazare.

Ao longo de 2011, o septuagenário ativista questionou o Executivo pelo mesmo motivo com greves de fome em duas ocasiões - em abril e agosto -, e foi apoiado por milhares de pessoas. "Qualquer que seja a resposta do governo, apelo ao povo que não recorra à violência. Promoveremos essa agitação só com métodos não violentos", acrescentou o ativista.

A minuta da Lei Lokpal foi aprovada no último dia 20 pelo governo e depois apresentada ao Parlamento, onde desde segunda-feira está sendo debatido pelos deputados, antes de ser submetida à votação nessa semana.

A nova lei, uma antiga reivindicação que nunca se materializou, prevê a criação de um organismo público de defesa com capacidade para investigar casos de corrupção entre figuras do poder público, incluindo ministros e o próprio chefe de governo.

Mas Hazare, cuja equipe negociou durante meses os pontos da lei, qualificou de "débil" a minuta ratificada pelo governo que não outorga capacidade executiva ao mencionado órgão de defesa pública, entre outras críticas.

Ele afirmou que o plano do governo era uma tentativa de enganar o povo do país. Sua principal reivindicação quanto ao organismo de defesa é que ela está submetida e não tem poder sobre a Agência Central de Investigação, a principal do governo. Para Hazare, o novo órgão seria enfraquecido sem o poder de estar acima da agência.

Centenas de pessoas muitas delas agitando bandeiras da Índia foram às ruas em apoio a Hazare. Ao entardecer, a multidão era menor que as milhares reunidas pelo ativista em agosto durante protesto na capital indiana.

Hazare é também alvo de críticas daqueles que o acusam de arquitetar uma campanha populista que vilaniza todos os políticos. Dezenas desses críticos também foram às ruas, agitando bandeiras negras.

Hazare declarou ainda que após seu jejum de três dias irá a Nova Délhi para protestar em frente à residência da líder do governamental Partido do Congresso, Sonia Gandhi.

O ativista convocou seus seguidores a se juntarem a ele em um movimento de desobediência civil para o qual já estão confirmadas 130 mil pessoas, segundo o periódico indiano "The Hindu".

A corrupção é percebida na Índia como um dos problemas mais graves e, segundo uma enquete divulgada esse ano, a maioria dos indianos acredita que seu governo é corrupto (60%) e apoia os ativistas nessa luta.

Com AP e EFE

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