Ativista indiano faz acordo com polícia para greve de fome

Anna Hazare aceitou protestar durante 15 dias para tentar forçar o governo a mudar lei anticorrupção

BBC Brasil |

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O ativista indiano Anna Hazare dará início nesta quinta-feira a uma greve de fome em Nova Délhi, depois de fazer um acordo com a polícia para permitir o ato. Hazare, que foi preso na terça-feira, aceitou jejuar por 15 dias para tentar forçar o governo a melhorar uma lei anticorrupção que ele considera inadequada.

A notícia foi veiculada através de uma conta no Twitter de uma das mais proeminentes simpatizantes do ativista, Kiran Bedi. "Anna aceitou a permissão da polícia de Nova Délhi de duas semanas. Ele estará no parque às 15h (6h30 em Brasília)", informou Bedi. Segundo a imprensa indiana, a notícia gerou uma comemoração efusiva entre as centenas de seguidores do ativista que mantêm uma vigília do lado de fora da prisão de alta segurança de Tihar, em Délhi, onde Hazare permaneceu detido.

Hazare havia dito que permaneceria preso até que seu protesto fosse liberado. A polícia vinha insistindo que o ativista de 74 anos de idade fizesse greve de fome por apenas três dias. O ativista foi detido juntamente com cerca de 1,2 mil de seus seguidores em um parque da capital, horas antes de começar um "jejum até a morte".

Protestos

A prisão gerou protestos em diversas cidades indianas e principalmente na capital. Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas em apoio ao ativista. No Portão da Índia, monumento nacional indiano localizado em Nova Délhi, milhares de pessoas gritavam palavras de ordem e carregavam cartazes pedindo a libertação do ativista e ações do governo contra a corrupção. Protestos foram registrados, além da capital, em Mumbai, Chennai, Bangalore e Calcutá, entre outras.

O primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, acusou Hazare de subverter a democracia ao pedir a revisão de uma lei anticorrupção. O premiê disse ao Parlamento que a greve de fome de Hazare era "totalmente mal concebida". Seu discurso foi constantemente interrompido por parlamentares da oposição, muitos dos quais faziam gracejo e gritavam "vergonha".

O surgimento espontâneo de apoio público é motivo de grande preocupação para o governo de Singh, segundo o correspondente da BBC em Nova Délhi, Sanjoy Majumder. O governo, liderado pelo Partido do Congresso, negou que estivesse sufocando um protesto democrático, alegando que os manifestantes foram detidos porque não haviam aceitado as restrições da polícia quanto ao número de participantes e ao período da greve de fome.

Em abril, o ativista cancelou uma greve de fome depois de quatro dias quando o governo disse que ele poderia a ajudar a redigir uma proposta de lei para criar um lokpal, ou seja, um órgão independente com o poder de investigar políticos e servidores públicos suspeitos de corrupção. A versão final do projeto foi apresentada no início de agosto, mas Harare e outros ativistas a rejeitaram, porque o premiê e juízes mais experientes ficariam livres da abrangência da nova lei.

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