Ativista é decapitado por denunciar violência no México pela internet

Corpo torturado foi encontrado com a mensagem: 'Isso aconteceu comigo por não entender que não devo reportar nas redes sociais'

iG São Paulo |

Um corpo decapitado de um homem foi encontrado nesta quarta-feira na cidade mexicana de Nuevo Laredo, na fronteira com os Estados Unidos. De acordo com as autoridades locais, a vítima se tratava de um moderador de uma página na internet que denunciava o tráfico de drogas.

Leia também: México usa redes sociais para buscar informações e sobreviver

O corpo do moderador da página 'Nuevo Laredo ao vivo' apresentava sinais de tortura. "Rascatripas", apelido com o qual é identificado nas redes sociais, foi deixado junto ao monumento a Colombo, com uma mensagem atribuída ao crime organizado: "Isso aconteceu comigo por não entender que não devo reportar nas redes sociais".

Esse seria o quarto ciberativista morto na cidade fronteiriça com Laredo, no Texas, por denunciar fatos ligados ao crime organizado.

Em setembro, foi encontrado no mesmo local o corpo da jornalista Maria Elizabeth Macías que, sob o pseudônimo de "a garota de Laredo", coordenava o mesmo site de "Rascatripas", que reúne informações divulgadas nas redes sociais por vizinhos sobre tiroteios e movimentações suspeitas, publicava conselhos sobre proteção e convidava leitores a denunciar criminosos.

Além de Macías, outros dois jovens foram asassinados e pendurados em uma ponte no dia 13 de setembro, provavelmente por utilizar as redes sociais para comentar situações de risco.

Nuevo Laredo tem uma forte presença do cartel Los Zetas, criado por militares desertores, ao qual se atribuem várias chacinas, especialmente no nordeste e no leste do México.

Segundo organizações como a Repórteres Sem Fronteiras, as redes sociais se tornaram uma fonte alternativa de informação para a população, diante da autocensura aplicada a muitos meios de comunicação locais nas regiões mais afetadas pela violência dos cartéis.

Segundo levantamentos, cerca de 41 mil foram mortos no México em disputas entre os cartéis de drogas ou operações federais desde dezembro de 2006, quando o governo do presidente Felipe Calderón iniciou uma ofensiva antidrogas com mais de 50 mil militares.

Os assassinatos prejudicaram o apoio ao partido conservador, de Calderón, que enfrenta uma dura batalha para se manter no poder nas eleições presidenciais que devem acontecer em julho de 2012.

Com AFP

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