Ativista chinês Hu Jia está sob prisão domiciliar, diz sua mulher

Segundo a blogueira e também ativista Zeng Jinyan, há um forte esquema de segurança do lado de fora da casa da família em Pequim

iG São Paulo |

O ativista chinês dos direitos humanos Hu Jia, que foi libertado da prisão no domingo, está sendo mantido sob condições "equivalentes à prisão domiciliar", disse sua mulher, a blogueira e também ativista Zeng Jinyan, à BBC. Segundo ela, há um "número extraordinário" de policiais do lado de fora da casa da família em Pequim.

Em uma breve mensagem online, Zeng afirma que o casal tem uma "liberdade limitada", acrescentando que, "nesse exato momento, isso equivale a uma prisão domiciliar".

Hu saiu da prisão em Pequim na madrugada de domingo (horário local) e se encontra em casa, na capital chinesa. Segundo a EFE pôde comprovar, a residência de Hu, paradoxalmente denominada "BoBo - Cidade da Liberdade", está cercada pela polícia, que impede os jornalistas de se aproximar não só da entrada principal da casa, mas também de um posto de vigilância instalado a um quilômetro do local, no único caminho que leva ao domicílio.

Hu, que cumpriu três anos e meio por "subversão", anunciou à imprensa de Hong Kong que pretende continuar sua militância política crítica ao regime chinês. "Meus pais me disseram: 'Viva uma vida normal, não enfrente o regime, porque ele é muito cruel e viola de forma arbitrária a dignidade de seus cidadãos', mas a única coisa que pude lhes dizer é que terei cuidado", afirmou Hu, de 37 anos, à emissora local "Cable TV".

Hu foi libertado após cumprir a totalidade da pena, mas sofre restrição de seus movimentos e do direito à livre expressão, assim como outros dissidentes políticos, como o artista Ai Weiwei , libertado na quarta-feira após passar quase três meses preso.

Diante dessas limitações, o ativista lamentou a falta de liberdades na China em declarações à "Cable TV". "Às vezes é difícil ser piedoso e leal. Ou seja, ser leal à moralidade, leal aos direitos dos cidadãos, leal à consciência", afirmou Hu, agraciado em 2008 com o Prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento.

Os pais do dissidente, formados em universidades de elite chinesas, foram enviados a campos de reeducação laboral em 1957, acusados de serem "direitistas", da mesma forma que outros milhares de intelectuais que criticaram então o governo de Mao Tsé-tung, disse o próprio Hu em 2007, antes de ser detido.

O presidente do Parlamento Europeu, Jerzy Buzek, expressou nesta segunda-feira sua satisfação com a libertação do preso político, que foi detido em dezembro de 2007 por ter participado - mediante videoconferência - de uma reunião da entidade na qual falou sobre a situação dos direitos humanos na China.

"Com um pouco de sorte, esperamos receber em pessoa Hu Jia no Parlamento Europeu para que recolha seu prêmio Sakharov", disse Buzek em comunicado publicado nesta segunda-feira, após expressar seus temores de que o ativista e sua esposa voltem a ser presos por seu ativismo.

Candidato ao Prêmio Nobel da Paz em 2008, Hu ganhou fama, simpatizantes e inimigos por organizar campanhas de ajuda aos camponeses pobres que contraíram aids na China vendendo sangue nos anos 1990 - escândalo até hoje não reconhecido pelo governo - e por acusar as autoridades de ocultar o assunto.

O dissidente sofre de hepatite B, doença agravada durante o período na prisão. O representante do Parlamento Europeu pediu a Pequim que permita a Hu "seguir sua vida sem maiores obstáculos" e receber a medicação necessária para recuperar a saúde, sem esquecer "os muitos ativistas políticos e defensores de direitos humanos que continuam injustamente presos na China, entre eles Liu Xiaobo (Prêmio Nobel da Paz de 2010)".

*BBC e EFE

    Leia tudo sobre: chinahu jiadissidentes políticos

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG