Ativista chinês é condenado a dez anos de prisão

Chen Xi foi considerado culpado pelo crime de subversão dias depois da condenação de outro dissidente pelas mesmas razões

iG São Paulo |

Um ativista chinês veterano que organizava uma rede ativista pró-democracia foi condenado a dez anos de prisão nesta segunda-feira pelo Tribunal de Guiyang. Chen Xi foi sentenciado por subverter o poder do Estado após um julgamento que durou poucas horas.

A prisão do dissidente ocorre dias depois que outro ativista, Chen Wei, foi condenado a nove anos pelo mesmo motivo.

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Chen Xi recebeu a condenação pelo crime por ter escrito e publicado online 36 ensaios contra o Partido Comunista, informou sua mulher, Zhang Qunxuan, à agência Associated Press por telefone.

A internet na China está submetida a filtros e bloqueios para impedir que os cidadãos leiam sites estrangeiros considerados inaceitáveis do ponto de vista político ou social.

Segundo a esposa de Chen, durante o julgamento, seu marido se declarou inocente, mas não apelou da sentença. "Isso é absolutamente absurdo", disse Zhang. "Chen Xi disse ao tribunal que eles não levaram em consideração as coisas que ele escreveu por inteiro, e interpretaram as palavras fora do contexto. Mas eles têm poder e não escutam."

"A corte disse que ele era um agressor reincidente e que isso também é um crime muito sério", disse. Chen começou seu trabalho como ativista no protesto na praça da Paz Celestial em 1989 e foi condenado a três anos de prisão na época.

Ravina Shamdasani, porta-voz do Conselho de Direitos Humanos da ONU, disse que a organização estava preocupada com as duras sentenças dadas a Chen Xi e Chen Wei, assim como com a notícia de que o advogado ativista Gao Zhizheng havia sido preso por três anos após ter supostamente violado sua liberdade condicional.

"Nós estamos alarmados com o que parece ser uma tendência muito infeliz e um padrão de severas restrições sobre as atividades dos defensores dos direitos humanos e da liberdade de expressão na China."

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Grupos de direitos humanos expressaram repúdio em relação às condenações e acusaram Pequim de usar o período de festas de fim de ano para abafar o caso e impedir protestos. "Isso funciona bem, porque não há atividade diplomática perto do Natal", disse Nicholas Bequelin da Human Rights Watch.

"No momento em que os diplomatas voltarem às suas mesas, os eventos terão passado."

Entre os dissidentes recentemente presos, está Liu Xianbin, um ativista pró-democracia que passou uma década na prisão e foi condenado a mais dez anos em março. No Natal em 2009, Liu Xiabao, ativista e Nobel da Paz, foi sentenciado a 11 anos de prisão.

No caso de Chen Xi, o crime de subversão também procura puní-lo por seu trabalho no Fórum Guizhou de Direitos Humanos, uma rede ativista que organiza atividades pró-democracia no sul da China.

Muitos membros dessa rede passaram períodos na prisão por suas atividades, segundo a AP.

Com AP

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