Madri, 13 mai (EFE) - Estudos realizados com primatas mostraram que observar sua atividade neuronal permite conhecer antecipadamente a decisão que será tomada, o que permitirá compreender quais alterações estão por trás de patologias como psicose ou esquizofrenia.

Este é um dos resultados analisados no curso "Fundamentos Moleculares da Medicina" realizado pela Real Academia Nacional de Medicina da Espanha.

O diretor do curso, Enrique Blázquez, indicou que a "estrutura molecular do cérebro é a base fundamental e imprescindível para que possam ser realizadas todas as funções cerebrais".

"Através dela é possível a comunicação entre neurônios que capacita a recepção, integração ou envio de sinais, e desta forma gerar em distintas áreas cerebrais atividades motoras, sensoriais, de transmissão, emoções e muitas outras", acrescentou.

Em relação ao processo de tomada de decisões, o professor Carlos Acuña, do Departamento de Fisiologia da Faculdade de Medicina de Santiago de Compostela, assinalou que a atividade cerebral "precede o momento em que se toma uma decisão".

"Todos os fatores que influenciam na tomada de decisões, como são as lembranças, a situação atual, as expectativas, os valores ou os custos-benefícios que geram, estão representados na atividade neuronal", indicou.

Segundo o professor de Fisiologia, perante um cenário de múltiplas possibilidades o ser humano vai descartando até ficar só com dois.

"Do ponto de vista morfológico, se conhece basicamente todo o cérebro, mas do molecular ainda resta muito a estudar", disse Juan Bernal, do Instituto de Pesquisas Biomédicas do Conselho Superior de Pesquisas Científicas e participante no curso.

Assim, calcula-se que há entre mil e dez mil tipos neuronais diferentes no sistema nervoso e a maioria deles ainda não foi definida.

O especialista indicou que o objetivo é chegar a conhecer este sistema a partir da biologia de sistemas e baseando-se na expressão dos genes.

"Conhecemos a seqüência do genoma, e a expressão de muitos genes, ou seja, quais genes se expressam em determinadas estruturas, mas outra coisa é conhecer como estão inter-relacionados funcionalmente", ressaltou Bernal. EFE co/db

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