Atirador de Liege tinha longa ficha criminal e era aficionado por armas

Norodine Amrani era conhecido pela polícia por crimes como posse de drogas e armas antes de realizar ataque na Bélgica

iG São Paulo |

O atirador belga responsável pelo ataque no centro da cidade de Liège na terça-feira tinha uma longa ficha criminal e temia voltar para a prisão, segundo informaram autoridades belgas, que revisaram para quatro o número de vítimas fatais na tragédia que abalou a terceira maior cidade do país.

Leia também: Atirador de Liege matou uma mulher em sua casa antes do ataque

Reprodução
Imagem divulgada pelo jornal belga Sudpresse mostra Nordine Amrani
Entre as vítimas, está uma mulher encontrada morta nesta quarta-feira na residência de Nordine Amrani, o autor do massacre, mas não uma idosa de 75 anos que havia sido incluída no balanço divulgado na terça-feira e que agora está hospitalizada em situação grave, segundo anunciou o procurador federal da cidade, Daniele Reynders.

Dois adolescentes, um de 15 anos e outro de 17, e uma criança de um ano e meio também morreram no ataque de Amrani, que abriu fogo indiscriminadamente e jogou três granadas contra um grupo de pessoas que esperava o ônibus em um ponto na praça central de Saint-Lambert.

Os oficiais da Justiça e a polícia pintaram o retrato de um homem com paixão pelas armas e com um extenso passado criminoso que o fazia ter medo constante de voltar para a cadeia.

Amrani deveria ter comparecido na terça-feira a uma delegacia para responder, segundo uma fonte ouvida pela BBC, a uma denúncia de agressão sexual. Ao sair de casa naquele dia, entretanto, em vez de responder as perguntas das autoridades, Amrani efetuou o ataque.

De acordo com a EFE, Amrani fez uma transferência de dinheiro à sua companheira no dia anterior ao massacre, incluindo a seguinte mensagem: "Te quero, meu amor. Boa sorte!".

Ficha

Velho conhecido da Justiça, ele foi condenado em 2008 a cinco anos de prisão por possuir um numeroso arsenal pesado e por plantar maconha em sua casa - no total, ele tinha 9.500 peças de armas e uma dezena de armas completas, além de 2.800 plantas de maconha.

Entretanto, um tribunal de apelação o absolveu da condenação sobre a questão das armas um ano depois, pois ele teria as permissões necessárias para tê-las, informou seu advogado Jean-Francois Dister ao jornal La Libre Belgique.

Quando estava em liberdade condicional em 2010, suas armas não foram devolvidas por conta da condenação de tráfico de drogas, mas, se não fosse isso, não havia nenhuma restrição para que ele tivesse armas. Amrani também tinha antecedentes por roubo com violência e detenção ilegal. "Um deliquente que passou por tudo: tribunal para menores, tribunal correcional, corte de apelações...", afirmou o promotor-geral.

Como afirmado anteriormente, ele não tinha qualquer vínculo com organizações político-militares e as autoridades descartaram que se tratasse de um atentado terrorista. Amrani nunca teve problemas psiquiátricos, o que leva a muitos questionamentos sobre o que motivou o massacre.

Segundo Abdlehadi Amrani, um ex-advogado do assassino, com quem não tinha maiores vínculos, o responsável pela tragédia era um homem que "se sentia perseguido pela polícia".

Apesar de não ter deixado nenhuma mensagem, o ataque seguido de seu suicídio foi cuidadosamente preparado, segundo indicou o promotor-geral de Liège.

As pessoas que se encontravam na praça, entre eles vários adolescentes que haviam acabado de sair da escola, começaram a correr, refugiando-se em lojas e cafés da zona. Poucos minutos depois, a polícia cercou o lugar.

Segundo o promotor, mais de 120 pessoas ficaram feridas e cerca de 40 foram internadas por traumas psicológicos.

O ataque aconteceu na praça Saint-Lambert, a principal da cidade, onde fica o palácio da Justiça e um mercado muito popular. Devido a uma forte tempestade, as autoridades haviam suspenso um tradicional mercado natalino previsto no local.

"Ele atuou sozinho e parecia estar muito seguro de seus atos. Queria atacar a maior quantidade de pessoas possível. Ouvi quatro explosões e disparos que duraram cerca de dez segundos", contou Nicolas, uma das testemunhas oculares.

Luto

"Todo o país está de luto", declarou o novo primeiro-ministro Elio di Eupo, que visitou o local da tragédia. O rei da Bélgica, Alberto 2º, e sua esposa Paola também compareceram na terça-feira ao local da tragédia para prestar sua homenagem.

Nesta quarta-feira, Liège amanheceu comovida pelo drama, mas tentando recuperar a normalidade pouco a pouco. As marquises atacadas estão cobertas de flores e no centro da cidade é lida a mensagem "unidos somos mais fortes".

O mercado de Natal se prepara para reabrir, depois que a organização do evento afirmou em comunicado que "os gestos de vida devem ser mais fortes que os de morte".

Liège realizará no próximo domingo uma concentração de luto e lembrança das vítimas, e o governo não descarta decretar um dia de luto nacional.

A Bélgica não é alheia aos ataques indiscriminados deste tipo, mas a ministra do Interior Joëlle Milquet afirmou que não são mais frequentes que em outros países europeus.

Em 2006, um jovem ultradireitista matou a tiros em Antuérpia uma menina de dois anos e sua babá africana, e causou ferimentos a um imigrante turco, antes de ser detido. E em 2009, um jovem matou a punhaladas duas crianças e uma funcionária de uma creche de Dendermonde.

Com AFP, EFE e BBC

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