Atirador da Noruega gritou em ilha: 'Matarei todos vocês'

Jovem de 21 anos relata terror em Ilha de Utoya durante ação de homem suspeito de também ter lançado ataque a Oslo

iG São Paulo | 23/07/2011 08:23 - Atualizada às 12:24

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Adrian Pracon, jovem de 21 anos que sobreviveu ao massacre em um acampamento na Ilha de Utoya na sexta-feira, disse ter escapado por ter fingido estar morto, agarrando-se a outros corpos a seu redor, relato que surgiu neste sábado enquanto o número de mortos subiu para 85 no local.

As declarações de Pracon forneceram os detalhes mais claros do que aconteceu durante o ataque contra o acampamento juvenil do governista Partido Trabalhista, lançado depois de uma explosão na capital da Noruega, Olso, deixar sete mortos, fazendo com que o número total de vítimas nas ações chegasse a 92.

Segundo Pracon, o atirador era muito seguro, calmo e controlado e usava um uniforme negro, com detalhes em vermelho.

"Eu e outros nos deitamos e sobrevivemos por causa dos corpos aos quais pudemos nos segurar e por fingir estar mortos", disse Pracon à rede de TV CNN por telefone de um quarto de hospital. "Pude sentir sua respiração", contou. "Pude ouvir suas botas."

Pracon disse estar deitado na costa quando o atirador abriu fogo. "Estava a cerca de cinco metros, talvez sete, dele, enquanto gritava que ia matar todos e que todos devemos morrer. Ele apontou sua arma para mim, mas não apertou o gatilho", afirmou.

A televisão e os jornais noruegueses identificaram o suspeito dos ataques como Anders Behring Breivik, de 32 anos. Segundo o canal TV2, o suspeito está vinculado a extremistas da ultradireita e possuía duas armas registradas em seu nome. Outro meio de comunicação norueguês informou que ele se apresentava em sua página no Facebook como "conservador", "cristão", e interessado em caça e videogames como World of Warcraft e Modern Warfare 2.

A polícia não divulgou a identidade do homem, dizendo que o suspeito preso está sendo questionado pelo atentado em Oslo e pelo ataque na ilha, localizada a 40 quilômetros da capital norueguesa. Na sexta-feira, o ministro da Justiça do país, Knut Storberget, afirmou que o homem detido pelo tiroteio é de nacionalidade norueguesa.

Foto: AFP/ Facebook Ampliar

Imagem sem data tirada do Facebook mostra homem identificado como suspeito pelos ataques na Ilha de Utoya e em Oslo, Noruega

Segundo a imprensa norueguesa, a polícia local também trabalha com a hipótese de que o suspeito contou com a ajuda de um cúmplice para lançar os ataques.

O atirador chegou à Ilha de Utoya com uma roupa que parecia um uniforme policial. Os ataques de sexta-feira são os piores lançados na Noruega desde a Segunda Guerra Mundial. Os atentados também são a maior matança na Europa desde os de 11 de março de 2004 em Madri, que deixaram 191 mortos.

Neste sábado, pessoas acenderam velas e colocaram flores no centro de Oslo para prestar homenagem às vítimas.

O primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, qualificou de "tragédia nacional" o duplo atentado. "Nosso país jamais havia sido afetado por um crime dessa magnitude desde a Segunda Guerra Mundial", disse. "É um pesadelo", afirmou, referindo-se "ao medo, ao sangue e à morte" que enfrentaram os jovens. "O fato dói ainda mais porque Utoya é um lugar onde vou a cada verão, desde 1974. Ali conheci a alegria, o compromisso e a segurança. O local, famoso agora por uma violência brutal, era um paraíso da juventude que se transformou em inferno em poucas horas", afirmou.

Segundo as autoridades, o homem detido se diz um nacionalista e não tem nenhuma ligação conhecida com grupos islâmicos. A polícia está investigando a casa dele, no oeste de Oslo. Na sexta-feira, o ministro da Justiça e o primeiro-ministro disseram que é cedo para especular os motivos da tragédia e que não se sabe se o atirador agiu sozinho.

A jovem Emma Christiansen, 16 anos, que participava do acampamento, disse à BBC ter visto o homem vestido de policial sendo abordado por um jovem e atirando contra ele. "Então, corri para dentro de casa. Foi assustador." 

Há relatos de que o homem tenha sido visto em Oslo antes de seguir à ilha de Utoya, onde explosivos não detonados foram encontrados pela polícia. O chanceler da Noruega, Jonas Gahr Store, confirmou que se suspeita que o detido tenha ido ao acampamento depois de participar do atentado à capital norueguesa.

Segundo Oddny Estenstad, uma porta-voz da Central de Compras Agrícolas, o suspeito havia comprado seis toneladas de fertilizantes no começo de maio. "Vendemos a ele seis toneladas de fertilizantes, o que representa um pedido relativamente diferente", disse. Ela não quis detalhar a natureza dos produtos fornecidos nem se poderiam entrar na composição de explosivos artesanais.

Ele teria conseguido comprar essa quantidade de fertilizantes por ter a empresa Breivik Geofarm, uma companhia agrícola para o cultivo de vegetais. 

<span>Equipes de resgate retiram jovens do encontro escolar organizado pelo governista Partido Trabalhista na Ilha de Utoya, Noruega</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Equipes de resgate retiram ferido de acampamento de verão organizado pelo governista Partido Trabalhista na Ilha de Utoya, na Noruega</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Sobreviventes não identificados de ataque à Ilha de Utoya são vistos do lado de fora de hotel onde se reuniram com suas famílias em Sundvolden, na Noruega</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>Sobrevivente (E) de ataque de atirador na Ilha de Utoya abraça pai em Sundvolden, Noruega</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>O primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg (C), cumprimenta sobrevivente de atirador na Ilha de Utoya durante visita a vítimas e seus parentes em hotel em Sundvolde</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>Equipes de emergência procuram corpos em água na costa da Ilha de Utoya, Noruega</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>Foto tirada pelo repórter criminal norueguês Vergard M. Aas mostra vítimas deitadas perto da costa na Ilha de Utoya, Noruega (22/07)</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>Foto de 21 de julho mostra jovens no acampamento de verão da Ala Juvenil do Partido Trabalhista na Ilha de Utoya, Noruega, um dia antes de ataque de atirador</span> - <strong>Foto: AP</strong>

Visita à ilha do massacre

O primeiro-ministro da Noruega visitou neste sábado a Ilha de Utoeya, palco do ataque contra membros da ala juvenil de seu partido e onde o líder disse ter iniciado sua carreira política. "A Noruega é um pequeno país, mas com um forte espírito de solidariedade", disse. "Recuperaremos esse lugar como nossa ilha", disse o premiê, que deseja superar o "peso da tragédia" de sexta-feira. 

Neste sábado, Stoltenberg também se reuniu com parentes e vítimas do massacre em um hotel Sundvolden, onde um homem de cerca de 20 anos foi detido por supostamente segurar uma faca em frente do local.

Em reação aos ataques, o Exército e a polícia da Noruega reforçaram a segurança em torno dos prédios e instituições potencialmente ameaçados neste sábado. 

Veja no mapa os locais dos ataques:

Foto: Arte/ iG

Capital Oslo e ilha de Utoya são alvos de atentados na Noruega

* Com BBC, EFE e AFP

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