O Afeganistão foi abalado nesta terça-feira por uma série de ataques sangrentos que matou pelo menos 21 pessoas, sendo sete civis afegãos e soldados da Otan em Cabul, com os talibãs intensificando o terror a dois dias das eleições presidenciais e provinciais.

Trata-se do segundo ataque suicida em três dias em Cabul contra os militares da Otan, encarregados com as forças afegãs de proteger os 17 milhões de eleitores convocados às urnas na quinta-feira.

Além disso, outro atentado suicida contra um posto militar deixou cinco mortos em Oruzgan, no sul do país, e salvas de foguetes caíram sobre Cabul e Jalalabad, ferindo dez pessoas na grande cidade do leste.

Em Cabul, um dos foguetes caiu dentro do complexo onde fica o palácio presidencial. Não foram registrados feridos ou danos materiais na capital.

No leste, uma bomba explodiu na passagem de um comboio da Isaf, matando dois soldados americanos e ferindo outros três.

No norte, uma região em geral tranquila, outro atentado na província de Badajshan deixou quatro civis mortos (três funcionários eleitorais e um motorista) quando seu veículo bateu numa bomba artesanal.

Pelo menos outros três atentados abalaram o país nesta terça, matando outras cinco pessoas.

O atentado desta terça-feira em Cabul e os disparos de foguetes foram reivindicados por um porta-voz dos talibãs. Os rebeldes prometeram perturbar um processo eleitoral que consideram como uma "impostura" impulsionada pelos Estados Unidos.

No início da tarde, um camicase detonou seu carro-bomba na passagem de um comboio da força da Otan, em uma rua do centro de Cabul por onde costumam passar os militares estrangeiros, anunciaram os ministérios da Defesa e do Interior.

Pelo menos sete civis afegãos morreram e 51 ficaram feridos. De acordo com fontes do governo, o alvo do camicase era um comboio de abastecimento da Otan.

"Soldados da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) da Otan foram mortos, e vários outros foram feridos" no ataque, declarou à AFP uma porta-voz da Aliança Atlântica.

O representante especial do secretário-geral da ONU no Afeganistão, Kai Eide, também anunciou que dois funcionários afegãos das Nações Unidas morreram no atentado.

O ataque de Cabul foi reivindicado pelo porta-voz talibã Zabihullah Mujahed, que também assumiu a autoria dos disparos de foguetes contra Cabul e Jalalabad.

Sábado, os talibãs cometeram um atentado com carro-bomba diante do quartel-general da Isaf em Cabul, um dos setores mais protegidos do país, matando sete civis afegãos.

Além disso, em Mazar-i-Sharif, no norte do país, um candidato às eleições provinciais foi morto segunda-feira em uma emboscada, anunciou a polícia. O ataque não foi reivindicado.

Pelo menos três outros candidatos às provinciais, de um total de 3.000, foram assassinados durante a campanha eleitoral.

Um esquema de segurança especial será mobilizado no dia das eleições, com 300.000 homens no total, entre soldados afegãos e estrangeiros.

Segundo a Comissão Eleitoral afegã, quase 12% dos centros de votação poderiam ficar fechados devidos à insegurança.

Em Bruxelas, a Comissão Europeia anunciou que seus observadores constataram "irregularidades no processo de registro" dos eleitores, o que cria "um potencial de fraude".

bur/yw

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