Atentados suicidas de talibãs deixam 57 mortos no Paquistão

Pelo menos 57 pessoas morreram nesta quinta-feira num duplo atentado suicida dos talibãs em frente à principal fábrica militar de armamentos do Paquistão, não muito longe de Islamabad, outro ataque que fragiliza ainda mais o governo, já paralisado por questões fundamentais internas.

AFP |

Este atentado amplia a onda sem precedentes de ataques cometidos por combatentes próximos à Al-Qaeda e aos talibãs, que deixou mais de 1.000 mortos em um ano.

Apesar da ofensiva recente do exército nas zonas tribais da fronteira com o Afeganistão, ordenada pelo novo governo sob pressão de Washington, as autoridades não conseguiram conter estes ataques.

Maulvi Omar, porta-voz do Movimento dos Talibãs do Paquistão (TTP), conhecido por sua proximidade com a Al-Qaeda, assumiu imediatamente o duplo atentado desta quinta-feira em mensagem à AFP e ameaçou lançar camicases contra grandes cidades do país, inclusive Islamabad, se o exército não parar com suas operações nas zonas tribais.

Os atentados desta quinta-feira foram cometidos, quase simultaneamente, em frente às duas entradas de um grande conglomerado de fábricas de armamentos, o Pakistani Ordnance Factory, na localidade de Wah, a 30km a noroeste de Islamabad, na troca de turno entre os operários.

"Dois homens a pé explodiram bombas que carregavam na cintura em frente à fábrica no momento da troca de turno", indicou à AFP Nasir Durrani, chefe da polícia de Taxila, cidade vizinha de Wah e ponto turístico no Paquistão por seus vestígios antigos hindus.

Pelo menos 57 pessoas morreram e mais de 70 ficaram feridas, declarou à AFP no fim da tarde Durrani.

Este é o segundo atentado desde à demissão, segunda-feira, do presidente Pervez Musharraf, aliado chave dos EUA em sua guerra contra o terrorismo. No mesmo dia, um camicase matou 30 pessoas num hospital do noroeste.

Os talibãs paquistaneses, mas também a Al-Qaeda, decretaram a jihad, a guerra santa, ao chefe de Estado e seu exército depois que ordenou em julho de 2007, o assalto à Mesquita Vermelha em Islamabad, onde 100 islamitas armados estavam entrincheirados.

O ataque deixou 100 mortos, "mártires" que Osama bin Laden e chefes islâmicos paquistaneses juraram vingar.

O novo governo, eleito nas legislativas de fevereiro e hostil a Musharraf, lançou recentemente, sob pressão intensa de Washington, uma nova ofensiva nas zonas tribais do noroeste, fronteira com o Afeganistão e redutos dos talibãs afegãos ou paquistaneses e combatentes estrangeiros da Al-Qaeda.

A operação, no distrito de Bajaur, uma das zonas tribais onde Washington está convencido que a Al-Qaeda reconstituiu suas forças, deixou mais de 500 mortos entre os insurgentes em duas semanas, segundo o Exército.

Altos responsáveis das forças de segurança indicaram à AFP que os talibãs vão com certeza querer represálias.

Os dois pilares do governo, vencedores das legislativas, estão estudando um sucessor para Musharraf e tentando resolver sua diferença sobre o restabelecimento em suas funções de juízes da Suprema Corte demitidos pelo chefe de Estado demissionário.

A maioria das vítimas do duplo atentado de Wah é formada por operários civis da fábrica, sob tutela do ministério da Defesa, indicou à AFP por telefone Riaz Hussain, um dos 25.000 a 30.000 assalariados destas fábricas de munições, obus e outros mísseis.

"Estava trabalhando quando ouvi uma enorme explosão, e outra logo em seguida. Elas foram enormes.", descreveu.

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