Atentados suicidas cometidos por mulheres matam dezenas de pessoas no Iraque

Ali Musa Bagdá, 28 jul (EFE).- Três atentados suicidas em Bagdá e outro em Kirkuk, todos eles cometidos por mulheres, mataram hoje 50 pessoas e deixaram mais de 300 feridos no Iraque após várias semanas de considerável redução da violência.

EFE |

Na capital iraquiana, pelo menos 26 peregrinos xiitas morreram e outros 117 ficaram feridos, segundo fontes médicas, em três explosões com poucos minutos de diferença, tanto que em Kirkuk houve 22 mortes e 187 pessoas feridas em um atentado e em um tiroteio posterior.

Apesar de os atentados suicidas terem sido freqüentes nos últimos anos de violência no Iraque, é a primeira vez que quatro explosões protagonizadas por mulheres acontecem no mesmo dia.

Fontes policiais disseram que os atentados de Bagdá aconteceram no coração de um dos bairros comerciais da capital, o de Karrada, e que, aparentemente, as ações foram coordenadas.

Os atentados foram registrados nas praças de Musa Ibn Nusair e Kahraman, assim como próximo ao Teatro Nacional Iraquiano, em um bairro que costuma ser palco de ataques similares, a maioria protagonizada por insurgentes sunitas.

Os alvos dos três atentados de Bagdá eram peregrinos xiitas que se dirigiam para Kazimiya, onde fica o santuário de Musa al-Kazim, no norte da cidade, para participar dos atos por ocasião do aniversário da morte deste imame.

Os atentados registrados em Karrada são os mais graves desde o dia 17 de junho, quando mais de 60 pessoas morreram em um ataque em massa no bairro xiita de Hurriya, no leste de Bagdá.

Nenhum grupo assumiu imediatamente a responsabilidade por estas ações violentas, mas, segundo fontes policiais, os atentados cometidos em Bagdá têm a marca de militantes da organização terrorista Al Qaeda, de Osama bin Laden.

Todos os anos, milhares de xiitas participam da peregrinação para Kazimiya para se lembrarem ali de um de seus imames mais respeitados.

Em 31 de agosto de 2005, mais de mil de pessoas morreram pisoteadas em uma ponte que dá acesso ao santuário de Kazimiya, ao ficarem sabendo de um rumor de que alguém entre eles carregava uma bomba.

O porta-voz do Plano de Segurança para Bagdá, general Qassem Atta, disse aos jornalistas que foram tomadas medidas para proteger as rotas usadas pelos peregrinos xiitas até o santuário de Musa al-Kazim.

Em Kirkuk, a 250 quilômetros de Bagdá, 22 pessoas morreram e outras 187 ficaram feridas em um atentado realizado por um desconhecido que carregava um cinto de explosivos detonado no centro da cidade, além de um tiroteio posterior.

O Governo autônomo do Curdistão disse em seu site que este atentado também foi perpetrado por uma mulher que detonou os explosivos no meio de uma manifestação política.

Depois da explosão aconteceu um tiroteio entre curdos e turcomanos. Um coronel do Exército ficou ferido na troca de tiros.

Kirkuk é a cidade mais importante de uma rica região petrolífera do norte do Iraque, com população de maioria curda e que é centro de disputas entre as autoridades do Curdistão iraquiano e do Governo de Bagdá.

A concentração no qual aconteceu o atentado de Kirkuk foi convocada para pedir a aprovação no Parlamento de uma lei sobre as próximas eleições provinciais, inicialmente convocadas para o dia primeiro de outubro, que não contou com o apoio dos parlamentares curdos.

Os curdos querem que Kirkuk se transforme na capital da região autônoma de Curdistão, que compreende as províncias de Suleimaniya, Irbil e Dohuk.

No entanto, árabes e turcomanos preferem que a cidade continue sob controle do Governo central de Bagdá, como símbolo da coexistência pacífica entre os diferentes grupos étnicos no Iraque.

EFE am/wr/fal

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