Atentados simultâneos matam 9 em hotéis de luxo de Jacarta

Juan Palop. Jacarta, 17 jul (EFE).- Pelo menos nove pessoas morreram, incluindo uma neozelandesa, e mais de 50 ficaram feridas em dois atentados com bomba simultâneos cometidos hoje contra dois hotéis de luxo do centro financeiro de Jacarta, capital da Indonésia.

EFE |

Uma terceira bomba, pronta para explodir, foi encontrada e desativada pela Polícia indonésia em um quarto do 18º andar do JW Marriott, um dos hotéis atacados, informou o chefe policial de Jacarta, general Wahyono.

A Polícia indonésia confirmou que o neozelandês que morreu foi identificado como Timothi Mackay, de 62 anos e presidente da companhia de cimentos PT Holcim.

Entre os 50 feridos, há cidadãos de cerca de dez nacionalidades - entre elas dos Estados Unidos, Coreia do Sul, Canadá e China -, segundo os dados da Polícia e dos três hospitais para onde foram levados.

Por enquanto, as embaixadas dos países da América Latina não receberam informação de que haja algum de seus cidadãos entre as vítimas da tragédia.

A primeira explosão aconteceu às 7h45 (21h45 de Brasília de ontem) no movimentado restaurante Syalendra, que fica no térreo do hotel Ritz-Carlton, e matou quase na hora seis pessoas, informou a Polícia.

Apenas dois minutos depois, uma segunda explosão ocorreu no restaurante Airlangga do JW Marriott, situado no terceiro andar, a poucos 20 metros do outro hotel, quebrando quase todas as grandes vidraças, destruindo a mobília e deixando mais dois mortos.

A nona vítima morreu a caminho do hospital, segundo fontes médicas, por causa dos graves ferimentos.

Além disso, foram descobertos dois cadáveres mutilados e sem cabeça entre os escombros, por isso a Polícia não descarta que os atentados tenham sido cometidos por terroristas suicidas, indicaram vários canais locais de televisão.

Nos instantes posteriores ao duplo atentado, houve momentos de caos e angústia, em meio aos escombros deixados pelas explosões, os feridos ensanguentados saindo para fora dos estabelecimentos e à nuvem de fumaça branca que envolveu a área.

"Havia feridos por todas as partes, muita fumaça e um forte cheiro de enxofre e pólvora. Fiquei branco quando vi pedaços de carne humana espalhados pelo chão", disse à Agência Efe um dos primeiros médicos a chegar ao local e que preferiu não ser identificado.

Os feridos em estado mais grave foram levados rapidamente pelos táxis que aguardavam junto aos hotéis, antes da chegada das primeiras ambulâncias, caminhões de bombeiros, agentes da Polícia e soldados do Exército.

O presidente da comissão de segurança do Parlamento indonésio, Theo Sumbuaga, disse que as primeiras investigações policiais indicam que o duplo atentado pode ser obra de suicidas, que teriam passado a noite nos hotéis atacados.

O recém-reeleito presidente do país, Susilo Bambang Yudhoyono, confirmou que as ações foram cometidas por "um grupo terrorista", mas evitou responsabilizar a Jemaah Islamiya, o braço do Al Qaeda no Sudeste Asiático e à qual foram atribuídos todos os atentados na Indonésia nos últimos anos.

Vários analistas destacaram o trio de critérios que guiaram os terroristas neste duplo atentado: "alvo simples", "perfil alto" e "impacto alto".

As bombas não causaram grande destruição em nenhum dos dois hotéis, pois, segundo a Polícia, os autores dos atentados usaram pouca quantidade de um material "muito explosivo".

Os ataques colocaram fim a quase quatro anos sem atentados terroristas de caráter islâmico na Indonésia, o país com o maior número de muçulmanos do mundo - mais de 200 milhões de fiéis -, na maioria de caráter moderado.

A ação mais violenta dos radicais ocorreu na turística ilha de Bali em 2002, quando uma série de bombas em locais noturnos matou 202 pessoas.

O próprio hotel JW Marriott foi alvo de outro atentado em agosto de 2003, que deixou 13 e cerca de 100 feridos. Este incidente colocou em xeque a efetividade dos controles de segurança deste e de todos os grandes estabelecimentos hoteleiros de Jacarta.

O duplo atentado de hoje aconteceu dez dias depois de Yudhoyono revalidar seu cargo em eleições presidenciais amplamente pacíficas, nas quais o presidente ressaltou sua firmeza contra o terrorismo.

No primeiro mandato de Yudhoyono, foram detidas várias centenas de islamitas, e foram condenados e executados os três terroristas envolvidos nos atentados de Bali de 2002. EFE jpm/an

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