Bagdá, 24 abr (EFE).- Pelo menos 60 pessoas morreram hoje no Iraque e 130 ficaram feridas em dois atentados suicidas simultâneos cometidos em um santuário xiita de Bagdá, um dia depois que outro dia violento com 84 mortos e mais de 120 feridos.

Entre os mortos hoje há 25 peregrinos iranianos e, entre os feridos, 80. Eles tinham ido ao santuário do imame Moussa al-Kazim, um dos mais sagrados dos xiitas, para fazer as orações da sexta-feira, disseram à Agência Efe fontes policiais.

Segundo as fontes, dois desconhecidos que estavam com cintos com explosivos os detonaram simultaneamente no santuário, no bairro de Kadhimiya, no norte de Bagdá, causando uma tragédia em um momento de grande presença de fiéis.

Ninguém assumiu a autoria do atentado até o momento, o mais sangrento em mais de um ano, mas o ato se parece com as últimas operações realizadas por suicidas que seguem as ordens da seção iraquiana da Al Qaeda.

Moussa al-Kazim era um dos 12 imames xiitas. Seu santuário foi cenário de outros atentados suicidas, mas é raro no Iraque que duas pessoas com explosivos detonem os artefatos ao mesmo tempo e no mesmo lugar.

Um porta-voz do Ministério do Interior iraquiano disse à Agência Efe que um dos suicidas detonou a bomba perto de duas entradas que dão acesso ao jardim do grande santuário.

As fontes disseram que, entre as vítimas, há mulheres e crianças, e acrescentaram que muitos dos feridos têm lesões graves, por isso as autoridades acreditam que o saldo final de mortos pode aumentar.

Não ocorria um número tão alto de vítimas fatais em um ataque desde o atentado de 17 de junho de 2008 em um mercado de Bagdá, que deixou 62 mortos e 87 feridos.

Pouco depois das explosões de hoje, foram vistas no local várias ambulâncias levando feridos aos hospitais do bairro de Kadhimiya e de outros lugares da capital, enquanto a área era cercada pelas forças de segurança.

Este duplo atentado de hoje é o mais sangrento contra esse local sagrado para os xiitas desde que os grupos insurgentes sunitas lançaram uma campanha armada contra as forças militares americanas que invadiram Iraque em 2003.

Em 8 de abril, sete pessoas morreram e 23 ficaram feridas devido à explosão de uma bomba perto do mausoléu do imame Al-Sherif al-Radi, a poucos metros do santuário do imame Kazim.

Em 4 de janeiro, uma mulher detonou um cinto de explosivos em um posto de controle situado perto do mesmo santuário e, no atentado, houve 37 mortos e 53 feridos. A maioria das vítimas era de peregrinos xiitas.

Estes ataques contra peregrinos xiitas representam um ressurgimento da violência sectária no Iraque, não registrada há muitos meses e que, em 2006, deixou o país à beira da guerra civil.

Esta violência entre diferentes cultos muçulmanos - os majoritários xiitas e os minoritários sunitas - explodiu em fevereiro de 2006, mas, com o tempo, foi diminuindo, entre outras razões, devido à intervenção das tropas militares americanas.

Em 18 de abril, o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, advertiu sobre um possível aumento da violência sectária no país e pediu unidade entre a população para "fechar a passagem aos inimigos do Iraque".

"Devemos ser muito cautelosos, porque a discórdia sectária poderia voltar a se instalar entre nós. Da mesma forma que trabalhamos a favor do país, os inimigos trabalham para prejudicá-lo", disse Maliki, em discurso a membros da tribo Bani Tamin.

As explosões de hoje ocorrem um dia depois que 84 pessoas morreram e 126 ficaram feridas em dois atentados, um deles contra peregrinos xiitas iranianos na província de Diyala e o outro no centro de Bagdá.

Esta série de atentados acontece enquanto continuam os planos dos Estados Unidos para retirar gradualmente seus efetivos do Iraque, antes da retirada total, programada para 2011.

Enquanto isso, continua-se à espera da confirmação das notícias divulgadas ontem pela televisão oficial iraquiana, citando um porta-voz do Exército, sobre a detenção do líder máximo da Al Qaeda no Iraque, Abu Omar al-Baghdadi.

A detenção foi divulgada pelo canal "Al Iraqia", que citou o porta-voz das operações do Exército em Bagdá, general Qasem Atta, mas que não foi confirmada por outra fonte iraquiana nem pelas forças militares americanas no país. EFE ah-nq-ag/an

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