Por Adrian Croft BAGDÁ (Reuters) - Atentados com bomba mataram quase 40 pessoas nesta quinta-feira no Iraque, incluindo 20 participantes de uma reunião de um conselho tribal na Província de Anbar, apenas alguns dias antes de os militares dos Estados Unidos transferirem o controle da segurança dessa vasa região ocidental para as forças iraquianas.

Na cidade de Mosul, no norte do país, um carro-bomba matou 18 pessoas e feriu 62 perto da sede do governo da Província de Nínive, disseram autoridades.

Quando o carro-bomba explodiu, o governador de Nínive, Duraid Kashmula, havia acabado de deixar o local para verificar os danos causados por dois foguetes que haviam sido lançados nas imediações. O governador não se feriu. Autoridades locais disseram que a bomba pode ter sido uma tentativa de assassinato.

No mês passado a violência chegou ao seu nível mais baixo nos últimos quatro anos no Iraque, mas na última semana tem ocorrido uma onda de ataques, especialmente dentro e nas redondezas de Mosul, região que os militares dos Estados Unidos dizem ser o último grande reduto urbano do grupo islâmico sunita Al Qaeda no Iraque.

Os ataques são uma indicação de que a Al Qaeda, que se enfraqueceu significativamente depois de uma sucessão de ofensivas dos EUA no ano passado, não é uma força aniquilada.

Provavelmente, as autoridades vão responsabilizar a Al Qaeda pelo atentado suicida contra a reunião de líderes tribais árabes sunitas, apoiados pelos EUA, na cidade de Garma, Anbar, situada 30 quilômetros a noroeste de Bagdá.

Um porta-voz da polícia em Falluja, cidade próxima de Garma, disse que 20 pessoas foram mortas e 12 feridas.

Entre os mortos estão um líder tribal e o chefe do conselho distrital, disse ele, bem como três policiais.

A Província de Anbar já foi o centro da insurgência sunita contra as forças dos EUA e também um refúgio da Al Qaeda.

No fim de 2006, líderes tribais árabes sunitas, cansados da matança indiscriminada de civis pela Al Qaeda e por sua severa interpretação do Islã, se uniram aos militares norte-americanos para expulsar o grupo. Muitos combatentes da Al Qaeda escaparam para o norte, para províncias como Nínive.

A violência em Anbar caiu tão drasticamente depois disso que no sábado está previsto que essa província se torne a primeira árabe sunita a ter seu controle da segurança transferido pelos EUA às forças iraquianas.

Será a 10a das 18 províncias a passar para o controle iraquiano. As outras 9 eram xiitas e curdas.

(Reportagem adicional de Fadhel al-Badrani em Falluja, Tim Cocks, Ahmed Rasheed e Khalid al-Ansary em Bagdá)

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