Atentados e confrontos deixam pelo menos 69 mortos no Iraque

Vários atentados no Iraque e uma nova onda de confrontos entre forças norte-americanas e milicianos xiitas deixaram pelo menos 69 mortos e dezenas de feridos nesta terça-feira em uma retomada da violência em duas cidades sob forte influência da al-Qaeda.

AFP |

Na capital, militares norte-americanos mataram seis combatentes no bairro xiita de Sadr City, bastião da milícia do líder radical Moqtada al-Sadr.

Pelo menos 40 pessoas foram mortas na explosão de um carro-bomba na cidade de Baquba, 60 km a nordeste de Bagdá, no atentado mais violento em um mês no Iraque.

Pouco depois, 13 pessoas foram mortas por um terrorista suicida que explodiu a carga que carregava consigo em um restaurante da cidade de Ramadi, 100 km a oeste de Bagdá.

A explosão de Baquba foi registrada por volta das 11h30 (05h30 de Brasília) próximo ao principal tribunal da cidade conhecida por ser um foco de membros da organização de Osama bin Laden no Iraque. Mais de 80 pessoas ficaram feridas.

Uma autoridade da Polícia local afirmou que uma mulher e um policial estavam entre os mortos, e que várias mulheres e crianças ficaram feridas.

Um médico do hospital de Baquba, Dr Ahmad Fouad, confirmou à AFP este registro, indicando que "a maior parte (dos corpos) estava carbonizada".

Três microônibus foram destruídos e dez casas foram danificadas em conseqüência da deflagração, constatou um correspondente da AFP.

Um terrorista suicida se explodiu no dia 4 de abril nesta cidade no meio da multidão, matando 25 pessoas.

No dia 17 de março, um atentado havia deixado 52 mortos na cidade xiita de Kerbala, ao sul de Bagdá.

Em Ramadi, outro terrorista detonou a carga explosiva que carregava em um restaurante por volta das 12h30 (06h30 de Brasília) e a deflagração deixou 14 feridos, segundo o general Tarek al-Yussef, chefe da Polícia da cidade.

Ramadi, capital da província de al-Anbar, foi por muito tempo um baluarte da insurreição sunita contra a presença norte-americana no Iraque.

Há meses, esta província ocidental parecia estar pacificada pela mobilização dos combatentes das tribos sunitas contra os militantes da al-Qaeda no Iraque.

O comando norte-americano fez da conquista do apoio sunita, por meio de financiamento, um dos pilares de sua estratégia de estabilização.

Novos episódios de violência entre militares norte-americanos e milicianos deixaram pelo menos seis mortos nesta terça-feira no bairro xiita de Sadr City, bastião em Bagdá do chefe radical anti-americano Moqtada al-Sadr, de acordo com o comando norte-americano.

De acordo com um comunicado militar, uma unidade em operação neste bairro no nordeste da capital iraquiana foi alvo de disparos com armas leves.

Os soldados norte-americanos responderam "em legítima defesa", matando em um primeiro momento três terroristas.

A patrulha norte-americana pediu apoio aéreo e outros três criminosos foram mortos.

"Não houve vítimas civis", assegurou o comunicado norte-americano.

Confrontos entre forças regulares iraquianas, apoiadas por unidades norte-americanas, deixaram pelo menos 95 mortos desde 6 de abril em Sadr City, que abriga mais de dois milhões de habitantes.

Esta área é o reduto do Exército do Mahdi, milícia de Moqtada al-Sadr, que denuncia a ocupação dos Estados Unidos e critica o governo de Nuri al-Maliki.

Autoridades militares norte-americanas asseguram que não visam esta milícia, e sim elementos "criminosos" insatisfeitos com as ordens de cessar-fogo dadas por Moqtada al-Sadr.

Elas afirmam que também querem eliminar posições de disparos de foguetes e morteiros que atingem freqüentemente a "Zona Verde", bairro protegido do centro de Bagdá que abriga instituições iraquianas e a embaixada dos Estados Unidos.

O Exército dos Estados Unidos indica que entre 23 de março e 12 de abril, pelo menos 596 foguetes e obuses de morteiro foram disparados em direção à Zona Verde, muitos dos quais erraram o alvo, matando a civis iraquianos.

Quatro norte-americanos, incluindo dois soldados, perderam a vida nesses ataques.

Em Bagdá, uma pessoa foi morta e seis ficaram feridas, entre elas quatro policiais, por um carro-bomba que tinha como alvo uma patrulha de Polícia no bairro de Karrada. Antes disso um artefato explosivo foi detonado próximo a um posto de Polícia, matando dois funcionários da Prefeitura e ferindo dois policiais.

bur-jch/dm

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