Atentados deixam 27 mortos e mais de 80 feridos no Paquistão

Pelo menos 27 pessoas morreram, e mais de 80 ficaram feridas, nesta sexta-feira, na explosão de dois carros-bomba em dois mercados lotados, na véspera da grande festa muçulmana de Aid al-Adha, no noroeste do Paquistão, anunciou a polícia.

AFP |

O balanço anterior era de 22 mortos nos dois atentados.

A maioria das vítimas, pelo menos 21, morreu na deflagração de um carro-bomba em um mercado do centro de Peshawar, não muito longe das zonas tribais onde o Exército paquistanês combate os islamitas ligados à rede Al-Qaeda, de Osama bin Laden, na fronteira com o Afeganistão. Outras 84 pessoas teriam ficado feridas.

A explosão aconteceu em frente a uma mesquita xiita, no mercado de Qisakhawani, um dos mais freqüentados dessa cidade de mais de 2,5 milhões de habitantes, quando as pessoas faziam compras para as comemorações do Dia do Sacrifício, uma celebração muçulmana.

"O local estava cheio, as pessoas faziam compras" para preparar a Aid al-Adha, a principal festa muçulmana, contou uma das testemunhas, Javed Zaman.

O atentado de Peshawar atingiu um hotel e prédios vizinhos, destruindo lojas e causando pânico na multidão. As ruas estreitas do velho bazar de Qisakhawani estavam cheias de pedaços de corpos e cadáveres carbonizados, relataram diversas testemunhas. Entre as vítimas, há crianças e mulheres, informou a polícia.

"A explosão foi tão potente, que me jogou no chão", contou à AFP Iqraruddin, um estudante de 16 anos, no principal hospital de Peshawar.

De acordo com o chefe de polícia Malik Naveed, pelo menos 25 kg de explosivos foram utilizados, e a deflagração "abriu uma cratera de mais de 1,50 metro de diâmetro".

Algumas horas mais cedo, a detonação de outro carro-bomba havia deixado seis mortos em um mercado na zona tribal semi-autônoma de Orakzai, perto de Peshawar, dominada pela comunidade xiita.

Desde julho de 2007, o Paquistão vem sendo cenário de uma onda sem precedentes de atentados, suicidas em sua maioria, praticados, em geral, por talibãs paquistaneses. Mais de 1.500 pessoas morreram em todo o país nesses atentados nos últimos 16 meses.

O mercado pode fazer parte da violência religiosa entre xiitas e sunitas na região, que também fica perto das áreas tribais fronteiriças com o Afeganistão, nas quais milicianos talibãs encontraram refúgio.

O Exército paquistanês, sob intensa pressão dos Estados Unidos, país do qual é aliado na "guerra contra o terrorismo", lançou uma vasta ofensiva em agosto passado, em várias áreas das zonas tribais. Essas operações teriam provocado um movimento de represália, com o aumento no número de atentados.

As forças militares americanas que combatem os insurgentes talibãs no Afeganistão lançam, regularmente, mísseis na região, visando aos membros da Al-Qaeda. Muitas vezes, os civis não conseguem escapar.

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