Atentados de Mumbai mostram a nova cara do terrorismo indiano

Por sua audácia, seus alvos precisos e seu caráter antiocidental, os ataques que traumatizaram esta semana a capital econômica indiana, Mumbai (antia Bombaim), evidenciam uma guinada no terrorismo na Índia, segundo os analistas.

AFP |

Os atacantes, por volta de 25, fortemente armados e bem coordenados, atacaram lugares emblemáticos como o mítico Hotel Taj Mahal, símbolo da metrópole cosmopolita, um famoso restaurante, a principal estação de trem, um centro israelense e um hospital para mulheres e crianças. O alvo principal eram cidadãos americanos, britânicos e israelenses.

"Este ataque é uma resposta às relações mantidas pela Índia com a Grã-Bretanha, os Estados Unidos e Israel", afirma Amit Chanda, especialista indiano em segurança, recordando que Israel, por exemplo, é o segundo fornecedor de armas da Índia.

Para Chanda, "por sua audácia, este ataque será recordado com o 11 de setembro da Índia".

"A amplitude e a preparação diferem de atentados anteriores, este ataque é uma nova guinada", explica o analista Rohan Gunaratna, autor de um "best-seller" sobre Al Qaeda, suspeita de envolvimento nesses atentados.

Os ataques anteriores eram cometidos com freqüência com bombas colocadas em lugares públicos, como as que provocaram a série de explosões que matou 186 pessoas em vários trens em Mumbai, em 2006.

Estes ataques a civis têm por objetivo "provocar violência entre as comunidades hindu e muçulmana", enfatiza Urmila Venugopalan, analista do Jane's Country Risk, especializado em questões de segurança.


Policias cercavam o Hotel Oberoi/Trident antes de resgatar os reféns / AP

Mas os ataques dessa semana, que "aparentemente tinham como objetivo matar ou capturar empresários estrangeiros, jamais ocorreram antes e sugerem a existência de uma estratégia antiocidental global", acrescenta.

Os atentados foram reivindicados em nome de um grupo islamita até agora desconhecido, que se apresentou como os Deccan Mujahedines. Deccan é uma região que cobre em grande parte o centro e o sul do país.

Segundo algumas fontes, este grupo poderia estar ligado com o movimento indiano dos Mudjahedines da Índia, que reivindicou os atentados registrados entre novembro de 2007 e setembro de 2008.

No entanto, o ministro das Relações Exteriores indiano, Pranab Mukherjee, acusou elementos procedentes do Paquistão de envolvimento nesses atentados, com é normal a Índia acusar seus vizinho e tradicional inimigo de apoiar grupos que atacam em solo indiano, apesar de Islamabad sempre negar isso.

Para alguns analistas, a tática utilizada na quarta-feira parece inspirada na Al-Qaeda ou em grupos relacionados como o Lashkar-e-Toiba, com base no Paquistão.

Este último, acusado de ter cometido o atentado de 2001 contra o Parlamento indiano (provocando uma grave crise entre os dois países vizinhos), combate as autoridades indianas na região de Caxemira.

"Estos ataques têm todas as características de um ataque da Al-Qaeda, especialmente ao atacar vários lugares ao mesmo tempo", afirma Robert Ayers, especialista da Chatman House, instituto britânico especializado em relações internacionais.

"Foi uma operação extremadamente bem preparada tanto logística como em termos de tempo. Foi executada de maneira muito profissional", destacou.

"O único elemento que faz disso um ataque único é a tomada de reféns. Mas isso lhes dá mais publicidade, aumenta a atenção da mídia internacional e envolve outros Estados", acrescenta.

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