Atentados contra xiitas no Iraque deixam 29 mortos e mais de 100 feridos

Bagdá, 31 jul (EFE).- No dia mais violento no Iraque nas últimas três semanas, 29 pessoas morreram hoje e mais de 100 ficaram feridas, depois de uma série de atentados contra fiéis xiitas que acabavam de concluir suas orações de sexta-feira.

EFE |

Foram cinco as bombas que explodiram, quando os fiéis saíam das mesquitas da capital Bagdá e de seus arredores, em uma operação que parece ter sido organizada e que manchou de sangue lugares sagrados para os xiitas, que são maioria neste país.

Os alvos foram as mesquitas xiitas de Al Sharufi, Al Rasul al Aazam, Al-Hakim, Al Sadrin e a do imã Al Sadiq, em vários pontos da capital e de seus arredores.

Fontes do Ministério do Interior disseram à Agência Efe que o maior número de mortos foi registrado nos arredores da mesquita de Al Sharufi, no bairro de Al Shab, no nordeste de Bagdá, que fez mais de 23 vítimas fatais e outras 110 pessoas ficaram feridas.

A explosão de um carro-bomba que estava estacionado próximo à mesquita foi a causa das mortes e dos feridos.

Embora inicialmente tinha sido divulgado que todas as vítimas na mesquita de Al Sharufi foram ocasionadas pela explosão, fontes do Ministério do Interior, que preferiram ficar no anonimato, esclareceram que cinco pessoas morreram por disparos feitos pela Polícia.

Segundo as fontes, os policiais que estavam no local começaram a disparar indiscriminadamente em "pânico total", o que elevou o número de vítimas.

"Centenas de fiéis estavam reunidos no pátio fora da mesquita e primeiro houve uma explosão e depois os disparos da Polícia", disse à Efe uma testemunha que também não quis se identificar.

Na mesquita de Al Rasul al Aazam, onde aconteceu o segundo atentado mais grave, cinco pessoas morreram e 15 ficaram feridas.

Pelo menos em um dos casos, as autoridades disseram que a explosão foi ocasionada por um carro-bomba.

Nenhuma organização foi responsabilizada pela série de atentados, mas todas as suspeitas apontam para grupos terroristas vinculados à Al Qaeda.

Segundo as fontes, as explosões parecem ter sido programadas para acontecerem na mesma hora, logo após a conclusão das orações mais importantes da sexta-feira, por volta das 12h, no horário local, que costumam reunir milhões de muçulmanos no mundo todo.

Os xiitas representam 65% da população do Iraque, aproximadamente 26 milhões de habitantes.

As explosões despertaram o temor de que uma nova onda de violência sectária similar à de 2006 domine o Iraque, quando o país esteve à beira da guerra civil, após o atentado contra a mesquita xiita de Samarra, a 100 quilômetros ao norte de Bagdá.

Os enfrentamentos que seguiram o atentado contra este santuário xiita causaram a morte de milhares de iraquianos e centenas de milhares tiveram que fugir de seus lugares de origem para escapar da onda de violência.

Os atentados de hoje acontecem um mês depois que as tropas dos Estados Unidos que operavam no Iraque completaram sua retirada dos centros urbanos, no dia 30 de junho, de acordo com os compromissos de segurança assinados pelos dois países em 2008.

Atualmente, cerca de 130 mil soldados americanos operam fora das cidades, cuja segurança ficou a cargo do Exército e da Polícia do Iraque. A saída definitiva das tropas americanas será concluída antes do fim de 2011.

Os ataques de hoje são os mais graves desde o dia 9 de julho, quando três explosões, duas delas na cidade de Tal Afar e a outra no bairro de Cidade de Sadr, em Bagdá, que deixaram 42 mortos e quase 100 feridos.

Nos últimos dias, um banco foi assaltado violentamente, além de uma transportadora e um furgão, que as autoridades iraquianas suspeitam que possam ser obra de grupos insurgentes que estão tentando financiar suas atividades. EFE am/pd

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