Atentados contra espectadores da Copa matam dezenas em Uganda

Ataques de domingo deixam pelo menos 74 mortos e mais de 200 feridos; grupo vinculado à Al-Qaeda reivindica ação

iG São Paulo |

nullO grupo militante somali Al-Shabab, que é vinculado à rede terrorista Al-Qaeda e suspeito de realizar no domingo o ataque duplo na capital do Uganda, Campala, contra espectadores da final da Copa do Mundo, elogiou os atentados nesta segunda-feira e reivindicou a ação, que deixou pelo menos 74 mortos e mais de 200 feridos. Inicialmente, a informação era de 64 mortos .

O duplo atentado é o mais mortífero já cometido na África Oriental desde os ataques contra as embaixadas americanas de Nairóbi e Dar es Salaam lançados por membros da Al-Qaeda, que deixaram mais de 200 mortos em 7 de agosto de 1998.

As bombas explodiram em um clube de rúgbi, onde as pessoas viam o jogo em um telão ao ar livre, e em um restaurante de comida etíope, onde também se assistia à final entre Espanha e Holanda. "As nacionalidades das vítimas serão comunicadas mais tarde", declarou à AFP a porta-voz da polícia, Judith Nabakooba.

"Só queríamos ver a partida, e infelizmente fomos para a área etíope", declarou no hospital Chris Sledge, um jovem de 18 anos, que sofreu ferimentos graves nas pernas e em um olho.

Antes mesmo da reivindicação de autoria dos atentados, o chefe da polícia ugandense, Kale Kaihura, apontou como responsável a milícia radical islâmica Al-Shabab, que tinha ameaçado previamente atacar Uganda e outros países da região. "Isto é um ato terrorista, isso está claro, e vocês conhecem as declarações de Al-Shabab e Al-Qaeda", declarou Kaihura.

Uganda, juntamente com Burundi, fornece tropas à Missão da União Africana na Somália (Amisom), ameaçada por Al-Shabab, que pretende derrubar o governo apoiado pela comunidade internacional para controlar o país. Para o grupo, que controla a maior parte da Somália, a Amisom se trata de uma força de ocupação.

A Amison foi posicionada em março de 2007 e atualmente sua principal missão consiste em proteger o frágil governo provisório que dirige o país desde janeiro de 2009.

Reuters
Feridos em atentados são atendidos em corredor de hospital da capital de Uganda
Durante a Copa do Mundo, o grupo Al-Shabab e outras milícias radicais islâmicas proibiram na Somália os residentes das regiões sob seu controle de ver os jogos pela televisão . Essa é a primeira vez que esse grupo realiza atentados com explosivos fora da Somália. 

O Al-Shabab, que conta com o apoio de centenas de combatentes estrangeiros da Al-Qaeda, também pretende se estender por outros países do leste da África e criar um Estado muçulmano radical.

Repercussão internacional

O presidente americano, Barack Obama, condenou "os ataques deploráveis e covardes" e afirmou que seu país está disposto a prestar ao governo local a ajuda que precisar, informou o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Mike Hammer. Entre os mortos figura um americano, informou a Embaixada dos EUA em Campala.

O governo francês também condenou os atentados. Em comunicado, o ministro de Assuntos Exteriores francês, Bernard Kouchner, ressaltou que seus autores devem ser identificados e julgados. "Nessas circunstâncias dolorosas, a França expressa suas mais sinceras condolências às autoridades e ao povo ugandense, e especialmente às famílias das vítimas."

A União Africana (UA) também classificou o ocorrido de "ato terrorista (que) deve ser condenado nos termos mais fortes". E o presidente somali, Sharif Sheij Ahmed, afirmou que foi um "ato vil e diabólico".

*Com EFE, AFP e AP

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