Seis soldados italianos e 10 civis afegãos morreram nesta quinta-feira em Cabul em mais um atentado talibã contra as tropas da Otan, um novo golpe desferido aos esforços de estabilização empreendidos pela comunidade internacional no momento em que o Afeganistão está submerso na crise política deflagrada pelas suspeitas de fraudes maciças na eleição presidencial de 20 agosto.

Nesta quinta-feira pela manhã, um camicase lançou seu carro-bomba contra um veículo blindado leve italiano, em uma das avenidas mais frequentadas da capital afegã.

Os talibãs reivindicaram imediatamente o ataque, um dos mais mortíferos cometidos contra as forças internacionais em oito anos de guerra.

O atentado foi perpetrado a 1,5 km do centro, mas a explosão abalou a cidade inteira, abrindo uma cratera gigantesca na calçada, relataram jornalistas da AFP.

Roma confirmou rapidamente que seis soldados de uma unidade de paraquedistas integrada à Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) da Otan faleceram na explosão, e Cabul anunciou a morte de dez civis afegãos.

Este novo atentado foi perpetrado num momento em que a comunidade internacional está às voltas com as fortes suspeitas de fraudes que adiam o anúncio dos resultados definitivos da eleição presidencial.

Segundo os analistas, os ocidentais estão divididos entre a necessidade de preservar a credibilidade do presidente Hamid Karzai, que instalaram no poder há oito anos, e as dificuldades que acarretaria a organização de um segundo turno contra talibãs revigorados, que prometeram perturbar o processo eleitoral.

A maioria dos países envolvidos no conflito tem de lidar com a crescente rejeição de suas opiniões públicas, que pedem cada vez mais insistentemente a retirada das tropas estrangeiras do Afeganistão. O ano de 2009 já é, e de longe, o mais mortífero para as forças ocidentais.

As suspeitas de fraude maciça na eleição presidencial afegã "complicam ainda mais a tarefa" dos Estados Unidos, admitiu nesta quinta-feira o secretário americano da Defesa, Robert Gates.

Mais cedo, Karzai desmentiu a existência de fraudes "maciças", admitindo apenas irregularidades "menores".

Quarta-feira, a Comissão Eleitoral revelou que Karzai obteve a maioria absoluta com 54,6% dos votos e que seu maior rival, Abdullah Abdullah, ficou com apenas 27,8%.

No entanto, Karzai só será proclamado oficialmente o vencedor da eleição quando as investigações de fraude envolvendo centenas de milhares de votos terão sido finalizadas.

Quarta-feira, os observadores da União Europeia (UE) afirmaram que cerca de 1,5 milhão de votos eram "suspeitos", a imensa maioria em favor de Karzai. A UE garantiu que não será "a cúmplice de uma tentativa de fraude".

"As investigações têm de ser justas, e conduzidas sem ingerência", declarou Karzai nesta quinta-feira, mais ou menos vinte minutos antes do atentado.

O Papa Bento XVI expressou sua "dor" pelas vítimas do atentado desta quinta-feira, e os deputados do Parlamento Europeu observaram um minuto de silêncio.

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