Atentado talibã em Cabul mata militares e civis

Cabul, 17 set (EFE).- Os talibãs voltaram a fazer hoje em Cabul um novo ataque suicida contra as tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que causou a morte de seis soldados italianos, dez civis e deixou 52 feridos.

EFE |

A explosão que pode ser escutada em grande parte da cidade ocorreu às 12h10 na hora local (04h40 no horário de Brasília), quando dois blindados com dez militares italianos a bordo retornavam do aeroporto à cidade de Cabul.

Ignazio La Russa, ministro de Defesa da Itália, afirmou em Roma que seis soldados italianos morreram e outros quatro ficaram feridos quando um terrorista suicida jogou um veículo carregado de explosivos contra o comboio militar.

Os soldados envolvidos no atentado integram à Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf), missão militar sob comando da Otan, e pertencem ao regimento de paraquedistas com sede em Cabul, onde Itália tem 450 militares, segundo o ministro.

Conforme o porta-voz do Ministério afegão da Defesa, Zahir Azimi, em Cabul, pelo menos 10 civis morreram e outros 52 ficaram feridos com a explosão, disse à Agência Efe.

O atentado ocorreu em uma região situada entre o aeroporto e o militarizado bairro onde ficam as principais embaixadas na capital afegã.

Em comunicado, a Isaf confirmou a morte de seis soldados estrangeiros, embora não tenha especificado as nacionalidades, o que deve ser feito pelos Governos correspondentes.

Contatado por telefone, o porta-voz talibã Zabihullah Mujahid assumiu a culpa pelo atentado e informou à Efe que 13 soldados italianos morreram por causa da explosão.

Pouco depois do ataque, as tropas internacionais e afegãs isolaram o local, para onde seguiram várias ambulâncias encarregadas de transferir os feridos aos hospitais próximos.

Em 8 de setembro, um suicida já tinha causado uma explosão a bordo de um veículo em frente ao recinto da organização na seção militar do aeroporto de Cabul. Esse ataque causou a morte de três pessoas.

Apesar do amplo desdobramento de forças de segurança em Cabul, os talibãs atacaram em agosto o quartel-general da Isaf e um comboio militar na estrada para Jalalabad, nos arredores da capital afegã.

Os talibãs multiplicaram os ataques em todo o território em agosto, tornando esse o mais sangrento mês para as tropas estrangeiras no Afeganistão, com 77 baixas.

Neste mês, também ocorreram as eleições presidenciais, no último dia 20.

Pelo calendário oficial, a divulgação dos resultados definitivos das eleições pela Comissão Eleitoral (IEC) estava previsto para esta quinta-feira, mas o anúncio pode demorar algumas semanas por causa da determinação de recontar as cédulas em 10% dos locais de votação por indícios de irregularidades.

Na quarta-feira, a IEC finalizou o escrutínio provisório e agora falta fazer a nova apuração. Os resultados temporários garantem vitória por maioria absoluta para o atual presidente, Hamid Karzai, com 54,6% dos votos, sem a necessidade de um segundo turno.

Em entrevista coletiva em Cabul, Karzai comemorou os resultados preliminares e "negou que a fraude eleitoral tenha sido tão grande como divulga a imprensa".

O chefe de Estado se disse surpreso com a estimativa da missão de observadores da União Europeia que estima 1,5 milhão de votos suspeitos de fraude (1,1 milhões favoráveis a Karzai), de um total de 5,6 milhões de cédulas válidas.

O presidente pediu respeito pela IEC e a Comissão de Queixas (ECC), encarregada de revisar as irregularidades, para que possam trabalhar sem interferências.

O segundo candidato mais votado, Abdullah Abdullah, desmentiu Karzai e reiterou que o pleito registrou fraude maciça e descartou uma união ao atual Governo.

A ECC, órgão do qual fazem parte integrantes da Organização das Nações Unidas (ONU), ordenou à IEC que reconte as cédulas depositadas em 2.500 colégios eleitorais sobre os quais pairam suspeitas de fraude, quase 10% do total, algo que poderia alterar os resultados preliminares. EFE lo-daa-amp/dm

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