Bagdá, 2 jan (EFE).- Um dia após as Forças Armadas dos Estados Unidos transferirem às do Iraque a segurança na chamada Zona Verde, área-chave de Bagdá, um atentado suicida matou pelo menos 23 pessoas em Yusufiyah, cerca de 30 quilômetros ao sul da capital iraquiana.

O atentado foi cometido por um homem identificado como Amin al Karghuli, que era procurado pela Justiça e detonou uma bomba que levava presa ao seu corpo durante uma reunião de líderes tribais.

O porta-voz do Comando de Operações de Bagdá, general Qasim Atta, afirmou que os mortos pelo atentado eram 23, mas policiais da região disseram que as vítimas fatais poderiam passar de 30.

Al Karghuli, segundo o porta-voz militar, ativou o detonador do explosivo no meio de um almoço convocado pelo xeque Mohammed Abdullah Saleh al Kargouli para buscar uma reconciliação entre diferentes grupos, na casa dele.

A semelhança entre os sobrenomes do anfitrião e do suicida pode indicar parentesco ou pertinência de ambos à mesma tribo.

Além das vítimas fatais, o número de feridos pela explosão oscila em uma gama de possibilidades bastante incerta, entre 42 e 130, segundo diversas fontes.

Entre as vítimas havia representantes da milícia pró-governamental Conselhos de Salvação, grupos de defesa criados em várias regiões do Iraque para combater rebeldes e que progressivamente estão sendo incorporados às forças regulares.

Yusufiyah é um dos vértices de uma região apelidada de "triângulo da morte" pelos numerosos atentados e ações violentas registrados, e que chegou a estar controlada por grupos insurgentes sunitas.

Os outros vértices desse triângulo são as povoações de Mahmudiya e Latifiya.

Este fato é o atentado mais grave no Iraque desde 11 de dezembro, quando pelo menos 55 pessoas morreram em Kirkuk, 250 quilômetros ao norte de Bagdá, por outro atentado suicida, em um restaurante.

O atentado de hoje aconteceu um dia após uma série de atos classificados oficialmente como "históricos" e que permitiram ao Iraque receber áreas-chave de Bagdá que até agora estavam sob controle das forças militares americanas.

Entre as áreas transferidas se encontra a chamada Zona Verde, a área mais fortificada de Bagdá, de aproximadamente dez quilômetros quadrados, e na qual se encontram as sedes do Governo e do Parlamento, assim como muitas embaixadas.

O Iraque também recebeu dos Estados Unidos um antigo palácio presidencial de Saddam Hussein que estava sendo usado como quartel-general das forças militares multinacionais e como sede provisória da embaixada dos Estados Unidos.

"Temos o direito de considerar esta data como um dia-chave para o restabelecimento de nossa soberania, e o começo da recuperação de cada polegada de nosso solo", afirmou o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, referindo-se a essas transferências.

Além disso, as tropas britânicas entregaram ontem às forças iraquianas o aeroporto da cidade sudeste de Basra, uma das cidades mais estratégicas do país e única porta de acesso do Iraque ao Golfo Pérsico.

O atentado de hoje acontece enquanto o Iraque se prepara para as eleições municipais do 31 de janeiro, consideradas essenciais nas tentativas do Iraque de recuperar a estabilidade política após a invasão militar chefiada pelos Estados Unidos em 2003. EFE sj-nq-ag/jp

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