Atentado suicida mata pelo menos 15 no Paquistão

Islamabad, 10 out (EFE).- Ataque suicida contra uma assembléia tribal denominada jirga matou pelo menos 15 pessoas hoje na reserva tribal paquistanesa de Orakzai, perto da conflituosa fronteira com o Afeganistão, segundo uma fonte oficial.

EFE |

Outras 40 pessoas ficaram feridas no atentado, perpetrado contra uma "jirga" da tribo Ali Khel que debatia medidas contra a insurgência talibã na zona, assegurou a fonte à agência estatal "APP".

No entanto, fontes hospitalares citadas pelo canal privado "Dawn" falam em 50 mortos e 100 feridos, enquanto a cadeia privada de TV "Geo" estimou em 31 as vítimas fatais.

Cerca de 500 pessoas testavam na reunião, quando um suicida detonou a carga explosiva, na localidade de Hadezai.

Os feridos foram transferidos para hospitais locais.

A assembléia discutia que ações tomar contra os fundamentalistas, depois que ontem uma milícia formada por tribos locais destruísse dois refúgios dos islamitas na região, segundo "APP".

Tanto o presidente paquistanês, Asif Alí Zardari, como o primeiro-ministro, Yousef Razá Guilani, já condenaram o ataque.

Segundo um comunicado de seu escritório, Guilani reiterou a determinação do Governo de lutar contra o terrorismo e o extremismo.

Hoje também ficaram feridas cinco pessoas na região de Kohat, vizinha a Orakzai, devido ao lançamento de um míssil que bateu em um cinema, segundo a "Geo".

No momento do ataque não havia eletricidade, por isso os moradores estavam fora da sala e o número de vítimas foi menor.

A reserva de Orakzai é uma das sete Áreas Tribais Administradas Federalmente (Fata), que nunca estiveram sob controle do Governo.

O Executivo reuniu-se em várias ocasiões com os líderes tribais destas regiões e os consideram peças fundamentais para levar estabilidade ao noroeste do país.

Orakzai é a única das sete Fatas que não faz fronteira com o Afeganistão e não costuma a ser palco de atentados ou combates entre os insurgentes e o Exército.

Diferente é a situação em outras zonas tribais, como Bajaur, ao norte de Orakzai, onde o Exército mantém uma ofensiva militar que em dois meses matou cerca de 1 mil fundamentalistas.

As Forças Armadas também estão desenvolvendo operações em outros pontos do conflituoso noroeste paquistanês, como no vale de Swat, que era conhecido como um importante destino turístico.

Os atentados continuaram em diferentes pontos do Paquistão nos últimos dias.

Na reserva de Dir, limítrofe com Bajaur, uma bomba ativada por controle remoto explodiu ontem na passagem de um furgão da Polícia na área de Kwago Obbo, matando 10 pessoas, entre elas três crianças.

Também ontem, um carro-bomba ativado por um suicida explodiu contra um edifício da brigada antiterrorista situado em um complexo policial nos arredores de Islamabad e o destruiu parcialmente, embora não tenha causado vítimas fatais.

Este foi o primeiro atentado na capital paquistanesa desde 20 de setembro, quando um suicida explodiu os 600 quilos de explosivos que transportava em um caminhão contra o hotel Marriott e matou 54 pessoas.

Diversos atentados dos nos últimos meses foram reivindicados pelo movimento Tehrik e Talibã Paquistão (TTP), que reúne os grupos talibãs paquistaneses.

O TTP insistiu em que os ataques não cessarão até que o Exército ponha fim às operações.

Perante a preocupante situação de segurança que sofre o país, o recém-designado chefe dos serviços secretos paquistaneses (ISI), Ahmed Shuja Pasha, compareceu ontem pelo segundo dia consecutivo ao Parlamento para informar sobre a evolução destas ofensivas militares. EFE igb/jp

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