Atentado suicida em mesquita xiita no Paquistão deixa pelo menos 30 mortos

ISLAMABAD - Pelo menos 30 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas nesta quinta-feira em um atentado suicida em uma mesquita xiita no Paquistão, último episódio da onda de violência sectária que assola o país, informou a polícia.

AFP |

"O registro é agora de trinta mortos", declarou um policial que não quis ser identificado.

A explosão ocorreu no momento em que uma multidão se dirigia no final da tarde para a mesquita onde um culto religioso iria começar, segundo a polícia.

"Parece ter sido um ataque suicida porque não há cratera alguma no solo. Se tivesse sido uma bomba, teria deixado uma cratera", explicou à AFP Shaukat Khaved, o mais alto representante policial da província.

"A explosão ocorreu a 15 metros da mesquita. É um ataque terrorista contra os xiitas para criar desestabilização", acrescentou Khaved.

A potente deflagração causou grandes danos à mesquita e em outro lugar sagrado xiita próximo, acrescentou o oficial da polícia local Mohammed Ahsan, que não especificou o nome do segundo estabelecimento.

O terrorista suicida vestia uma roupa com de 12 a 14 quilos de explosivos, indicou uma outra autoridade policial, Athar Mubarikhe.

Pânico na região

Após o atentado houve pânico no bairro, onde as pessoas correram para todos os lados à procura de abrigo.

O doutor Pervez Haider, diretor do hospital local, declarou por telefone à AFP que havia contado até o momento treze corpos, dentre os quais os de duas crianças e de uma mulher.

A explosão não foi reivindicada até o momento, mas a polícia culpa os extremistas sectários que praticaram atentados semelhantes em outros lugares do Paquistão, um país muçulmano majoritariamente sunita.

Os xiitas respeitam atualmente 40 dias de luto pela morte de uma de suas principais figuras, o Imã Hussein, que foi assassinado em Kerbala (atualmente uma cidade do Iraque) no ano 680 antes de Cristo.

Outros ataques

Os xiitas representam 20% dos cerca de 160 milhões paquistaneses. Nesse país, a coexistência de sunitas e xiitas tem sido tradicionalmente pacífica, apesar de a violência sectária iniciada no final dos anos 80 ter matado 4.000 pessoas.

Há dois dias, uma explosão em uma mesquita sunita em Dera Ismail Khan (norte) matou uma pessoa e feriu outras 18.

Mais de 1.500 pessoas morreram nos ataques e atentados praticados nos últimos 19 meses por extremistas devido à decisão de Paquistão de apoiar os Estados Unidos em sua guerra contra o terror após os atentados de 11 de setembro de 2001.

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