Atentado mata uma pessoa no Irã; polícia e oposição entram mais uma vez em confronto

Pelo menos uma pessoa morreu e duas ficaram feridas em um atentado suicida registrado neste sábado perto do mausoléu do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, no sul de Teerã, informou a emissora PressTV.

Redação com agências internacionais |

O protesto neste sábado é realizado apesar da determinação de Khamenei, que exigiu o fim das manifestações e advertiu aos três líderes da oposição que eles seriam os responsáveis diretos das consequências desses atos.

Diversos confrontos entre a polícia e os oposicionistas estão sendo registrados. Simpatizantes do candidato derrotado à presidência do Irã Mirhossein Mousavi atearam fogo a um prédio na região sul de Teerã usado por apoiadores do presidente Mahmoud Ahmadinejad, disse uma testemunha à Reuters. A testemunha também disse que a polícia atirou para o alto para dispersar manifestantes rivais na rua Karegar, na capital.

Mousavi reiterou neste sábado o pedido de anulação da eleição. "Todas as contagens (de irregularidades), às quais se acrescentam as demais mencionadas em minhas cartas anteriores, são suficientes para anular a eleição", disse Moussavi em uma mensagem enviada ao Conselho dos Guardiães. 


Vídeo é divulgado por manifestantes no YouTube

Polícia nas ruas

Reuters
Foto de blog mostra policiais nas ruas de Teerã
Segundo informações obtidas pela agência internacional de notícias AFP, a polícia antidistúrbios iraniana impedia que manifestantes chegassem à praça Enqelab de Teerã, agredindo alguns deles.

"A polícia antidistúrbios proíbe as pessoas de se aproximar da praça Enqelab, na qual está prevista uma manifestação, e bloqueia a passagem das pessoas nas ruas, empurrando as pessas na calçada e com agressões", declarou a testemunha à agência.

Outra testemunha afirmou que entre 1.000 e 2.000 manifestantes estavam diante da Universidade de Teerã, perto da praça Enqelab. Segundo ela, a polícia utiliza jatos d'água e bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os presentes.

A imprensa estrangeira não está autorizada a cobrir ou tirar fotos dos acontecimentos que não são autorizados pelo ministério iraniano da Cultura e Orientação Islâmica.

As imagens que ilustram essa reportagem foram divulgadas por agências internacionais, porém de autoria de blogueiros iranianos que as publicaram neste sábado. Os autores conseguiram furar o bloqueio imposto pelo governo e mostrar que policiais e militares estão nas ruas de Teerã.

Recontagem de votos

O Conselho dos Guardiães, encarregado de validar as eleições iranianas, anunciou neste sábado que decidiu recontar 10% das urnas do pleito do último dia 12 de forma aleatória.

Reuters
Imagem mostra militares nas ruas Terrã
"Embora o Conselho dos Guardiães não seja legalmente obrigado, estamos dispostos a recontar 10% das urnas ao acaso, na presença de representantes dos três candidatos derrotados", disse o porta-voz do Conselho à TV estatal.

Suposta fraude

A oposição iraniana denuncia supostas irregularidades nas eleições presidenciais de 12 de junho, que terminaram com a polêmica vitória já no primeiro turno do atual presidente, Mahmoud Ahmadinejad .

Desde a divulgação do surpreendente resultado, a oposição realiza grandes protestos diários , e alguns deles terminaram com enfrentamentos entre as forças da ordem - apoiadas por milicianos islâmicos "Basij" - e grupos de manifestantes.

(*com informações das agências AFP, Efe e BBC)

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