Atentado mais violento deste ano deixa pelo menos 64 mortos no Paquistão

Igor G. Barbero Islamabad, 21 ago (EFE).

EFE |

- Pelo menos 64 pessoas morreram e 80 ficaram feridas em um duplo atentado suicida - o mais violento este ano - contra a principal fábrica de armamentos do Paquistão, localizada perto de Islamabad, informou a Polícia.

Segundo uma fonte policial citada pelo canal privado "Dawn TV", o ataque aconteceu em frente à unidade industrial que abriga o quartel de Wah, próximo à cidade histórica de Taxila, a 30 quilômetros da capital paquistanesa.

Uma fonte do hospital afirmou que o número de mortos passa de 70 e que os feridos são cerca de 80, segundo o canal privado "Geo TV".

Os suicidas detonaram as cargas explosivas em duas das portas que dão acesso ao complexo, em torno das 14h40 hora local (5h40 em Brasília).

Grande parte do pessoal da instalação, que fabrica armas e munição e onde trabalham 40 mil pessoas, não estava dentro da unidade quando aconteceram as explosões.

"Aparentemente, dois homens detonaram os explosivos fora da fábrica durante uma mudança de turno", disse à "Geo TV" uma fonte policial.

Outra fonte das forças de segurança contou que havia vários coletes nos arredores da fábrica prontos para serem usados em atentados suicidas e grande quantidade de explosivos.

"A fábrica de Wah dispõe de um rigoroso dispositivo de segurança para controlar quem entra e quem sai do recinto, mas qualquer pessoa pode se aproximar sem problemas de alguma das várias portas", explicou à Agência Efe uma fonte militar.

As forças de segurança isolaram a área após o atentado, e os serviços de resgate transferiram os feridos para hospitais próximos de Taxila e Rawalpindi, enquanto o Ministério do Interior declarou estado de "alerta máximo" em todo o país.

O primeiro-ministro do Paquistão, Yousuf Raza Gillani, e o presidente interino do país, Mohammedmian Soomro, assim como outros líderes políticos, condenaram o ataque e afirmaram que os culpados serão levados à Justiça.

O ataque de hoje é o pior atentado sofrido pelo Paquistão neste ano e o quarto nos últimos 10 dias, que já mataram mais de 100 pessoas em cidades como Peshawar e Tank, no noroeste, e Lahore, no leste.

O movimento Tehreek-i-Taliban, que reúne os grupos talibãs paquistaneses, reivindicou a autoria do ataque por meio de seu porta-voz, Maulvi Omar, citado pela "Dawn TV".

O Tehreek-i-Taliban já tinha ameaçado com mais ataques enquanto continua a operação que o Exército lançou contra os insurgentes no cinturão tribal de Bajaur, na fronteira com o Afeganistão, onde em duas semanas mais de 600 pessoas morreram em combates, a maioria fundamentalistas.

O Governo paquistanês, formado no final de março, rompeu com a política antiterrorista do ex-presidente Pervez Musharraf e optou por iniciar negociações de paz com grupos insurgentes da zona fronteiriça.

Embora tenham chegado a assinar alguns acordos de paz com a mediação de conselhos tribais, a violência recrudesceu nas últimas semanas, nas quais o Exército lançou operações em quatro regiões contra grupos insurgentes.

Em um seminário antiterrorista hoje em Islamabad, Gillani admitiu a necessidade de combater os extremistas.

"A guerra contra o terror não pode ser vencida na defensiva.

Temos que levar a batalha para a porta dos extremistas", declarou o primeiro-ministro no seminário, organizado em colaboração com o Departamento de Estado americano, segundo a agência oficial "APP".

"Nenhum Exército estrangeiro ou conhecido está nos atacando.

Nosso inimigo vagueia silenciosamente dentro de nossa sociedade.

Esta é nossa própria guerra", declarou o premiê paquistanês.

Gillani, cujo discurso deu a entender que o Governo abandonou definitivamente a via do diálogo com os talibãs locais, disse que o Paquistão deve "tirar o terrorista sem rosto de seu esconderijo, obstruir seus planos e fazer frente às piores ameaças antes que elas surjam".

O aumento da violência coincide com uma situação de atolamento político, com as duas forças majoritárias da coalizão governista incapazes de chegarem a um acordo para resolver a crise judicial e a sucessão de Musharraf, que renunciou à Presidência do Paquistão na segunda-feira. EFE igb/wr/gs

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