Atentado frustrado: o explosivo era potente, mas os riscos, incertos

O potente explosivo utilizado no atentado frustrado contra um avião americano entre Amsterdã e Detroit na sexta-feira poderia, potencialmente, fazer um buraco na carlinga, mas não necessariamente destruir o aparelho ou provocar sua queda, segundo especialistas.

AFP |

Umar Farouk Abdulmutallab, o autor da tentativa de ataque, possuía pentrita (PETN), um potente explosivo da família da nitroglicerina, segundo o ministério americano da Justiça.

A mesma substância havia sido descoberta nos sapatos do britânico Richard Reid, que tentara acionar explosivos escondidos em seus sapatos a bordo de um voo que fazia a rota Paris-Miami, em dezembro de 2O01.

Para Bruce Hoffman, especialista em terrorismo da Universidade de Georgetown em Washington, a tragédia estava próxima, uma que vez que o suspeito havia sentado perto de uma janela do avião.

"É um dos explosivos mais potentes que existem. A bordo de um avião, em particular no lado da janela, ou na carlinga, basta apenas uma pequena dose para destruir uma parte da fuselagem", declarou à AFP.

Segundo as primeiras conclusões da investigação, o homem tentou injetar com uma seringa um líquido químico num pó que havia escondido numa parte de sua roupa perto da coxa, passando, assim, por todos os controles da segurança sem ser importunado.

Os passageiros do voo 253 da Northwest Airlines, então, "ouviram pequenas explosões, como rojões", e alguns dizem ter "visto as calças do suspeito e a divisão de separação do avião em fogo", até que um dos passageiros pulasse sobre ele para dominá-lo.

Segundo a rede americana ABC, o nigeriano levava 80 gramas de pentrita, costurados nas roupas íntimas.

"Não foi uma dose enorme. Numa experiência feita há alguns meses, fiz explodir esta mesma quantidade de pentrita numa folha de aço de 1,3 centímetro de espessura, e isto fez um buraco do tamanho de uma pequena moeda", contou à AFP Jimmie Carol Oxley, especialista em explosivos da Universidade de Rhode Island (nordeste).

Ora, as paredes de um avião são compostas com uma grande parte de alumínio, um material muito mais leve e menos resistente que o aço.

Resta saber se, em caso de explosão, um buraco na fuselagem teria sido fatal aos passageiros.

Não necessariamente, segundo Vincent Favé, especialista francês em acidentes aéreos.

"Tudo depende do tamanho da cavidade, da potência do explosivo e da altitude. Quanto mais altura, mais o avião está exposto, devido à forte pressurização", explicou à AFP.

Mas "não estou persuadido de que um buraco menor representasse um verdadeiro perigo para o avião. O maior risco é para quem estava mais próximo".

"O buraco não iria aumentar necessariamente", afirmou.

Além disso, a aeronave da Northwest havia começado a descida e não estava longe de pousar quando ocorreu a tentativa de atentado, reduzindo, assim, a violência potencial da despressurização da cabine.

"Se o avião está numa altura mais baixa, a diferença de pressão entre o exterior e o interior do aparelho é mais fraca e, então, o efeito da despressurização é menos violenta e o risco para os passageiros de serem aspirados é mais fraco", afirma Favé.

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