Atentado em funeral xiita mata 30 e fere 57 no Paquistão

ISLAMABAD - Pelo menos 30 pessoas morreram e 57 ficaram gravemente feridas nesta sexta-feira em um atentado suicida contra uma procissão de um funeral xiita e os posteriores distúrbios registrados em uma cidade do centro do Paquistão, segundo fontes oficiais.

EFE |

O ataque ocorreu na localidade de Dera Ismail Khan, situada na Província da Fronteira Noroeste, quando cerca de 1,5 mil muçulmanos xiitas iam a uma mesquita para participar do funeral de um homem assassinado na quinta-feira.

"Foi um atentado suicida. O agressor se infiltrou em uma procissão funerária xiita e detonou os explosivos. A polícia recuperou seu cadáver desfigurado e iniciou a investigação", disse um porta-voz policial na província.


Ao menos 57 pessoas ficaram feridas / AP

Revolta contra a polícia

Após a explosão, dezenas de pessoas enfurecidas atacaram um posto de controle policial próximo, e começaram a jogar pedras e destruir veículos, em protesto contra a suposta negligência da polícia em proteger o ato do funeral.

Propriedades foram incendiadas e ocorreram vários tiroteios, o que levou a maioria das lojas e mercados a fechar suas portas após o ataque e dificultou a transferência de feridos aos hospitais.

A rede de televisão "Dawn" informou que muitos médicos fugiram dos hospitais ao saber que a multidão se dirigia enfurecida para o local, mas depois a polícia conseguiu fazer com que os profissionais voltassem para atender os feridos.

Mobilização do Exército

Diante dos distúrbios, as autoridades ordenaram a mobilização do Exército paquistanês - com ordem de atirar para matar - e decretaram um toque de recolher que ficará em vigor por dois ou três dias, para controlar "a violência sectária", disse o oficial Mohsin Shah á "Dawn".


Exército foi chamado para conter fúria da população / AP

A multidão, segundo a "Geo TV", ficou enfurecida devido ao fracasso da polícia nas tarefas de proteção da procissão funerária, apesar de a área ter registrado antes atentados em circunstâncias semlhantes e distúrbios entre sunitas e xiitas.

Outros atentados

Em 5 de fevereiro, 32 pessoas morreram em um atentado contra outra procissão xiita na localidade de Dera Ghazi Khan, que também gerou protestos da população contra a passividade policial.

Outras dez pessoas morreram e 30 ficaram feridas em novembro de 2008, quando um suicida detonou sua carga em Dera Ismail Khan durante a procissão funerária de um dos líderes religiosos da comunidade xiita.

Tanto o primeiro-ministro do Paquistão, Yousaf Raza Gillani, quanto o presidente, Asif Ali Zardari, condenaram o atentado de hoje e disseram que a ameaça terrorista não conseguirá dobrar o Estado, segundo a "Geo TV".

O terrorismo assolou sem piedade o Paquistão nos últimos anos. Só em 2008, quase 8 mil pessoas morreram em consequência da violência, com mais de 2 mil atos terroristas, segundo dados divulgados no mês passado por um centro de estudos geoestratégicos.

A Província da Fronteira Noroeste é um dos principais focos de violência, baseada em um forte movimento fundamentalista que se apoia nas tribos pashtuns.

Além desta situação de conflito armado, há o fato de que, em muitas cidades do noroeste do país, ocorre uma difícil convivência entre a maioria sunita e os xiitas, que representam cerca de 30% da população total do Paquistão.

"A história desta região é muito tensa. É difícil achar que a situação possa se acalmar rápido", disse à Efe a fonte policial.

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