Atentado em escola deixa pelo menos 8 mortos no Iraque

Igor G. Barbero Islamabad, 3 fev (EFE).

EFE |

- Pelo menos oito pessoas, três delas soldados dos Estados Unidos, morreram hoje e dezenas ficaram feridas em um atentado contra uma escola para meninas que uma delegação americana inaugurava no noroeste do Paquistão, segundo diferentes fontes oficiais.

O ataque ocorreu por volta das 11h15 local (4h15 de Brasília), quando uma bomba de grande potência explodiu na chegada do comboio que organizava a inauguração da escola, reformada recentemente com ajuda da agência americana para o desenvolvimento internacional, USAID.

O atentado, cuja autoria foi assumida pelos talibãs paquistaneses, ocorreu na localidade de Koto, no distrito de Baixo Dir da Província da Fronteira Noroeste, onde o Exército paquistanês lançou no ano passado uma operação anti-talibã.

A delegação que promovia a inauguração incluía soldados americanos, membros de USAID, jornalistas e outros civis, segundo distintas fontes consultadas pela Agência Efe.

Um porta-voz militar explicou à Agência Efe que os soldados se encontram no Paquistão para treinar os membros das forças fronteiriças, versão confirmada pouco depois em comunicado da embaixada dos EUA em Bagdá.

Entre os mortos está um membro do corpo paramilitar fronteiriço e os outros são estudantes.

O ataque destruiu vários veículos e parte da estrutura do edifício, que desabou. Sob os escombros, ficaram dezenas de meninas.

Em sua versão definitiva, porta-vozes militares e de inteligência paquistanesas disseram à Agência Efe que oito pessoas morreram e cerca de 50 ficaram feridas, entre as quais dois soldados norte-americanos e um paquistanês.

Mas fontes policiais locais consultadas elevaram o número de mortos para 14 - entre três e quatro "estrangeiros", quatro paramilitares e sete estudantes. De acordo com essas fontes, o número de feridos foi de 128, a imensa maioria meninas da escola.

Ao longo do dia houve bastante divergência entre os dados. Embora o comando paquistanês tenha admitido desde o início a presença de estrangeiros entre os mortos, durante horas evitou confirmar tanto a nacionalidade como o que cada um deles fazia no Iraque.

Por isso a imprensa divulgou todas as versões sobre os mortos: primeiro de que eram jornalistas, depois de que eram funcionários de organizações humanitárias de nacionalidade indeterminada, em seguida de que eram membros da USAID e só depois que finalmente se admitiu que se tratavam de soldados.

O movimento Tehrik-e-Taliban Pakistan (TTP), que engloba diversas facções talibãs paquistanesas, reivindicou a autoria do atentado e assegurou que os americanos mortos pertenciam à empresa de segurança privada Blackwater, informou a imprensa paquistanesa.

A possível presença de forças militares americanas no Paquistão foi objeto de várias suspeitas e controvérsias durante os últimos meses.

Uma parte importante da opinião pública paquistanesa considera que a guerra contra a insurgência talibã na qual se envolveu o Exército paquistanês é um assunto dos EUA.

Tanto o primeiro-ministro do Paquistão, Yousuf Raza Gillani, quanto o titular de Exteriores, Shah Mehmood Qureshi, condenaram o ataque e ordenaram a abertura de uma investigação para esclarecer o ocorrido, segundo notas oficiais.

Qureshi declarou que "este tipo de ato só conseguirá fortalecer o compromisso" do Governo de vencer os insurgentes.

A embaixada americana também condenou o atentado, assegurando que "EUA e Paquistão são parceiros na luta contra o terrorismo" e ambos os países "estão trabalhando conjuntamente para construir escolas".

O ataque de hoje é o último de uma onda de atentados terroristas no Paquistão que desde o início de outubro de 2009 matou mais de 800 pessoas, a maioria delas civis.

Segundo relatório do Instituto do Paquistão para Estudos de Paz, 12 mil pessoas morreram em 2009 por causa da violência neste país.

Mais de 3 mil delas, a maioria civis, morreram em consequência de ataques terroristas.

As forças de segurança paquistanesas combatem atualmente a insurgência talibã em várias áreas fronteiriças com o Afeganistão e outras zonas conflituosas do norte do país, como o vale de Swat, adjacente ao distrito atacado hoje. EFE igb/sa

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG