Atentado em Cabul: sobreviventes gritam de dor em meio a corpos carbonizados

Uma mulher de burqa chorava convulsivamente no meio de corpos carbonizados e de membros humanos que jaziam na estrada e na calçada diante da embaixada da Índia em Cabul, alvo de um atentado com carro-bomba na manhã desta segunda-feira, relataram testemunhas à AFP.

AFP |

Uma densa fumaça negra se elevou do local da tragédia alguns segundos após a forte explosão, quando o carro cheio de explosivos acabava de ser lançado contra a grade que protege a entrada da embaixada indiana, no coração da capital afegã e a poucos metros do ministério do Interior.

Mais de 40 pessoas foram mortas, a maioria civis que faziam fila para retirar vistos, segundo Cabul. Nova Délhi destacou que pelo menos quatro mortos eram cidadãos indianos e trabalhavam na embaixada.

Dezenas de pessoas cobertas de sangue tentavam fugir do local do atentado, constatou um jornalista da AFP.

Destroços carbonizados de quatro carros estacionados em ruas adjacentes ainda estavam queimando, vários minutos após o drama.

O camicase se chocou ao mesmo tempo contra a grade e contra o carro de um diplomata indiano que estava entrando no edifício, explicou à AFP o embaixador Jayan Prasad.

O corpo do diplomata foi atirado no teto de um prédio vizinho pela violência da deflagração, e só foi encontrado horas depois da tragédia, relatou um funcionário da embaixada indiana, que não quis ser identificado. O motorista afegão do diplomata também está entre as vítimas.

"Há corpos carbonizados por toda parte, e estamos pisando em escombros", comentou o funcionário por telefone à AFP várias horas depois da explosão.

Os socorristas e os hospitais listaram mais de 140 feridos.

Imagens da televisão e fotos tiradas pouco depois do atentado mostram corpos carbonizados no chão. Uma mulher ferida, com a perna em frangalhos, cobre o corpo do que parece ser uma criança.

A zona de recepção da embaixada, protegida por uma barreira de sacos de areia, se transformou num cenário apocalíptico de corpos e escombros. Alguns escritórios dentro da embaixada, entre eles o do embaixador, foram danificados pela violência da explosão.

O carro-bomba, por sua vez, se desintegrou completamente.

Quase todas as vitrines deste bairro muito freqüentado foram quebradas pela deflagração.

A polícia instalou imediatamente um perímetro de segurança, mas uma mulher de burqa tentava forçar a passagem, gritando que queria se encontrar com sua filha numa escola perto da embaixada. "Deixem-me passar, pelo amor de Deus!", implorava.

Este atentado é considerado o mais mortífero já cometido na capital afegã desde o fim de 2001, quando os talibãs lançaram sua insurreição depois de terem sido expulsos do poder por uma coalizão militar comandada pelos Estados Unidos.

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