Atentado deixa pelo menos 14 mortos no norte do Líbano

Pelo menos 14 pessoas morreram, entre elas nove soldados e uma criança, na explosão de uma bomba nesta quarta-feira em Trípoli, um dos atentados mais sangrentos dos últimos anos no Líbano.

AFP |

O atentado aconteceu horas antes da visita à Síria de Michel Sleimane, a primeira de um presidente libanês desde 2005. Sleimane, que pretende em sua visita reforçar as relações bilaterais, deixou suas funções de chefe do exército para ser eleito presidente da República em maio deste ano,

Sleimane condenou, em um comunicado, o ataque terrorista, afirmando que as forças de segurança "não vão se curvar diante destas tentativas de aterrorizá-las".

O atentado também acontece um dia depois do voto de confiança do Parlamento libanês ao governo de união nacional dirigido por Fuad Siniora.

O governo de Siniora foi formado no dia 11 de julho, depois de uma longa crise política entre a maioria governista, apoiada pelo Ocidente e pela maior parte dos países árabes, e a oposição, que tem como aliados Síria e Irã.

Em maio, a crise levou a violentos combates, que deixaram 65 mortos, e o país esteve a ponto de começar uma nova guerra civil.

A bomba desta quarta estava numa mala que foi colocada no meio-fio numa rua comercial de Massarif, em pleno centro de Trípoli, a grande cidade do norte do Líbano. Ela explodiu de manhã perto de um ônibus civil, de uma linha que cruza o país de norte a sul, utilizado por inúmeros soldados.

O atentado matou 14 pessoas, das quais nove militares e uma criança de oito anos, segundo balanço fornecido por um responsável da segurança. A criança estava engraxando sapatos perto dali no momento do atentado, que não foi assumido por nenhum grupo.

Além disso, cerca de 40 pessoas foram feridas, mas 50 estão hospitalizadas, entre as quais algumas em estado grave, acrescentou. Segundo as primeiras estimativas, "20 kg de materiais explosivos causaram a deflagração".

A poderosa explosão lançou pedaços de corpos até em cima dos telhados dos prédios vizinhos.

Os hospitais lançaram apelos a doadores de sangue.

"Meu filho, meu filho", gritou uma mãe, batendo no peito antes de desmaiar na entrada de um dos hospitais, ao saber da morte de seu filho, um soldados.

"Ele tinha apenas 22 anos, ele estava orgulhoso de servir o Exército. Por quê? Por quê?", lançou o irmão da vítima.

O local do atentado fica a 1,5 km do bairro de Bab el-Tebbaneh, onde combates inter-religiosos regulares deixaram 23 mortos em Trípoli desde maio.

"Agora o povo e o exército são alvos, mas antes eram os deputados", disse o senador de Trípoli, Mesbah al-Ahdab, referindo-se à onda de atentados contra deputados de personalidades libanesas depois do assassinato do ex-primeiro-ministro Rafic Hariri em fevereiro de 2005 em Beirute.

Os combates em Trípoli, que deram trégua em julho, opuseram sunitas próximos da maioria a alauítas, um braço do xiismo, pró-oposição.

Este antagonismo sunitas-alauítas remonta à guerra civil (1975-1990) que transformou Bab al-Tebbaneh refúgio para habitantes da cidade síria de Homa destruída em 1982 pelo regime do ex-presidente Hafez al-Assad após uma insurreição islamita. Em 1986, o exército sírio, que ocupava o Líbano, entrou em Bab al-Tebbaneh e matou 300 pessoas com a ajuda dos alauítas.

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