Atentado contra a embaixada americana no Iêmen deixa 16 mortos

Um atentado cometido por um grupo extremista islâmico nesta quarta-feira contra a embaixada dos Estados Unidos em Sanaa, capital do Iêmen, deixou pelo menos 16 mortos, no segundo golpe em seis meses contra um complexo de segurança no país.

AFP |

Entre as vítimas fatais estão seis soldados iemenitas, seis criminosos e quatro civis, incluindo uma cidadã indiana, informou o ministério do Interior iemenita.

Segundo testemunhas, homens armados abriram fogo contra policiais que estavam em frente ao complexo fortificado da embaixada, antes que um terrorista jogasse um carro-bomba contra o edifício, levantando uma bola de fogo.

Em seguida, a missão diplomática foi alvo de uma série de explosões e disparos de armas.

Um grupo denominado 'Jihad Islâmica no Iêmen' reivindicou o ataque e ameaçou, em um comunicado, realizar atentados similares contra as representações da Grã-Bretanha, da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos em Sanaa.

Em um comunicado, a embaixada em Sanaa condenou o que descreveu como um ataque "hediondo" e afirmou que trabalhará com as autoridades do Iêmen para levar os criminosos à justiça.

Também informa que tanto a embaixada como os consulados americanos no país permanecerão fechados por tempo indeterminado.

"As ocorrências de hoje demonstram que os criminosos terroristas não vão hesitar em matar cidadãos inocentes e aqueles encarregados de sua proteção em nome de sua agenda do terror", diz o comunicado.

O britânico Trev Mason, que mora na cidade, contou ao canal americano CNN que ouviu pelo menos três grandes explosões.

"Ouvimos um forte tiroteio. Olhamos pela janela e vimos a primeira explosão, uma bola de fogo muito perto da embaixada dos Estados Unidos", declarou.

"O tiroteio continuou por entre 10 a 15 minutos, seguido de duas grandes explosões", acrescentou.

Depois de um ataque com foguete contra um complexo residencial onde moravam trabalhadores americanos da indústria petroleira em abril, o Departamento de Estado americano ordenou a retirada dos funcionários diplomáticos não essenciais, mas a ordem foi suspensa em agosto.

"Somos muito conscientes de que aqui existe uma ameaça constante e reexaminamos continuamente o estado de nossa segurança", declarou à CNN o porta-voz da embaixada, Ryan Gliha.

Em março, uma estudante e um policial morreram, e 19 pessoas ficaram feridas, em um ataque com foguetes que, segundo a diplomacia americana, tinha como alvo a embaixada.

"Os funcionários da embaixada não estão autorizados a viajar para fora de Sanaa e foram aconselhados a evitar hotéis, restaurantes e áreas turísticas, e a limitar estritamente sua exposição em locais públicos até novo aviso", afirmava uma circular publicada em abril.

Nos últimos anos, os extremistas islâmicos cometeram muitos ataques no Iêmen, terra dos ancestrais do líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, e um dos países mais pobres do mundo.

Em outubro de 2000, o navio de guerra americano "USS Cole" foi atacado no porto de Aden (sul) com um barco carregado com explosivos. O saldo foi de 17 oficiais americanos mortos.

O braço iemenita da Al-Qaeda, batizado de Unidades das Brigadas de Al-Iêmen, também reivindicou ataques fatais contra turistas belgas e espanhóis nos últimos dois anos.

Um grupo que se autodenomina Jihad, sem conexão com a Al-Qaeda, executou atentados contra as tropas oficiais e instalações petroleiras no sul do Iêmen desde 2003.

Em agosto, o governo anunciou a prisão de 30 membros da Al-Qaeda.

Em 12 de agosto, o ministério da Defesa anunciou a morte de um líder local da Al-Qaeda, em confrontos armados que resultaram na morte de dois policiais.

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