Atenienses se preparam para terceira noite de luta contra o fogo

Atenas, 23 ago (EFE).- Os incêndios que assolam os arredores de Atenas continuam sem controle, espalhados pelos fortes ventos, enquanto os bombeiros e os moradores das áreas afetadas se preparam para uma terceira noite de dificuldades.

EFE |

"A situação é extremamente difícil devido aos ventos, ao calor e ao terreno", avaliou o ministro do Interior grego, Prokopis Pavlopulos, que coordena o trabalho de extinção das chamas.

O vice-ministro da Ordem Pública grego, Khristos Markoyanakis, reconheceu hoje que "as condições são duras e os bombeiros estão cansados, mas continuarão os trabalhos sem dar trégua ao fogo".

Giorgos Karamesinis, chefe de Defesa Civil na região leste de Atenas, declarou hoje à imprensa que "se trata de um dos maiores incêndios das últimas décadas" e pediu "mais forças".

Os bombeiros concentram sua atenções em Gramatikos e Varnavas, a 50 quilômetros da capital, locais onde começaram o que aparentam ser os piores incêndios florestais da última década.

Muitos dos habitantes das localidades afetadas mostram pás e baldes de água na frente das câmeras de televisão e reafirmaram sua intenção de não deixar suas casas, ao contrário do que as autoridades pedem.

O vento continua soprando a cerca de 60 km/h, o que contribui para manter ativos diversos focos que consumiram milhares de hectares de florestas, imóveis e carros nos arredores do monte Pendelis, a 15 quilômetros do centro de Atenas.

Cerca de dez mil pessoas das localidades que se encontram perto das chamas foram retiradas de suas casas durante este domingo devido ao alto risco de morte, embora inicialmente tenham resistido a abandonar seus bens à mercê do fogo.

Durante o dia, cenas de terror foram vistas nas casas construídas ao pé do monte Pendelis e em regiões próximas, com os moradores pedindo a gritos para que chegasse ajuda para salvar suas propriedades.

Como medida de precaução, os bombeiros evacuaram desde a noite de sábado dois hospitais pediátricos e um militar, uma clínica psiquiátrica, vários acampamentos infantis de verão e diversos mosteiros, enquanto a Polícia limita como pode o acesso às frentes dos incêndios.

Os hospitais locais continuam recebendo dezenas de cidadãos afetados por complicações respiratórias devido à fumaça e às cinzas que cobrem o céu da capital grega.

O presidente grego, Karolos Papoulias, suspendeu suas férias e retornou a Atenas devido à seriedade da situação, enquanto o líder da oposição socialista, Giorgos Papandreu, que visitou os lugares afetados, afirmou que "é hora de ações para aliviar a situação dos desabrigados".

O Partido Comunista grego (KKE) atribuiu os incêndios a uma "ação proposital reforçada pela política antiecológica dos últimos anos".

Já o partido ultradireitista LAOS denunciou o "vazio existente na coordenação do trabalho de extinção dos incêndios", somando sua voz às denúncias das autoridades locais, que se queixam da falta de efetividade na luta contra o fogo.

Enquanto isso, as forças gregas de luta contra os incêndios foram assistidas hoje por dois aviões-pipa italianos. Mais dois estavam a caminho da Grécia a partir da França, assim como um helicóptero, um avião C-130 e uma brigada especial de bombeiros do Chipre.

As autoridades pediram para que as estradas dos arredores de Atenas não sejam usadas dada a proximidade do fogo.

As conexões por trem também ficaram interrompidas a partir do norte, a cerca de 20 quilômetros da entrada de Atenas, devido à proximidade das chamas.

Dois jogos de futebol do Campeonato Grego, Olympiacos contra AEK e Panionios contra PAOK, que seriam disputados em Atenas, foram adiados por causa dos incêndios.

A Justiça abriu uma investigação para estabelecer a origem dos incêndios, já que a maioria das autoridades locais denunciou à imprensa que se trata de "ações propositais" guiadas pelo propósito de erguer construções nas áreas arrasadas pelo fogo.

Os arredores de Atenas voltam a ser consumidos pelas chamas depois do verão de 2007, quando 2.500 hectares dos montes da capital foram queimados. Até agora em 2009, 250 mil hectares foram arrasados e 65 pessoas morreram por causa do fogo. EFE afb/bba

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