Atenas terá Natal de lojas fechadas e Governo instável

Adriana Flores Borquez.

EFE |

Atenas, 21 dez (EFE) - Às vésperas das festas de fim de ano, as ruas e lojas do centro de Atenas estão vazias e até a árvore de Natal, instalada em frente ao Parlamento, permanece protegida por 30 agentes antidistúrbios que tentam evitar que os jovens voltem a atear fogo ao pinheiro.

Após duas semanas de violentos protestos contra o Governo conservador, originados pela morte de um adolescente devido a um disparo policial, não é só o espírito natalino que está ameaçado na Grécia.

Segundo as últimas pesquisas, os distúrbios vêm colocando em risco também a estabilidade do Governo, já que o partido governante, o Nova Democracia (ND), foi superado em seis pontos percentuais pelo Movimento Socialista Pan-Helênico (Pasok), principal da oposição.

Na noite de sábado para domingo, novos confrontos entre grupos radicais e agentes no centro de Atenas obrigaram mais uma vez os donos de lojas a fechar os estabelecimentos para proteger as mercadorias.

No bairro de Exarhia, no centro de Atenas, onde no último dia 6 o jovem Alexis Grigoropoulos, de 15 anos, morreu por disparos de um agente, uma concentração inicialmente pacífica, no sábado à noite, originou novos choques quando um grupo de jovens lançou coquetéis molotov contra os policiais.

Em outras regiões da capital, se repetiram os ataques contra lojas e entidades bancárias, assim como as cenas de pedestres correndo em meio ao gás lacrimogêneo, às barricadas e a carros incendiados.

"Atenas não se dobrará", assegurou no sábado o prefeito da capital, Nikitas Kaklamanis, ao "reinaugurar" as decorações de Natal destruídas após duas semanas de distúrbios, nas quais as perdas causadas aos comerciantes gregos já são calculadas em cerca de 200 milhões de euros.

Apenas no centro de Atenas, cerca de 500 lojas foram alvo de vandalismo.

Por tudo isso, o prefeito pediu aos manifestantes que dêem uma trégua "para que se possa recuperar parte da atividade comercial" em uma época na qual se registra metade dos lucros de todo o ano.

O presidente da Federação de Pequenos e Médios Comerciantes, Dimitris Asimakopoulos, antecipou hoje à Agência Efe que haverá uma queda das vendas no centro da cidade de entre 50% e 90%, quando mesmo antes dos distúrbios tinha sido prevista uma queda de 30% devido à crise econômica.

A dona de uma sapataria de uma movimentada rua do centro da capital grega declarou que, hoje, menos de dez pessoas compraram e lamentou: "Terei que fechar a loja".

Dá uma falsa impressão de tranqüilidade "quando se vê tantos policiais antidistúrbios desdobrados, com seus escudos e máscaras, nas ruas", declarou à Efe um pedestre que se atreveu a ir ao centro com seus dois filhos mais novos.

No entanto, alguns turistas japoneses que passeavam pela parte antiga da capital disseram "não ter medo", enquanto um proprietário de uma loja de souvenirs disse à jornalista da Efe: "A senhora é a primeira pessoa que entra em minha loja hoje".

Apesar disso, não foi só o comércio que foi duramente afetado pela agitação civil que vive a Grécia.

O Governo conservador está sofrendo um forte desgaste pela onda de protestos devido à situação econômica, corrupção e falta de oportunidades para os jovens.

As pesquisas publicadas hoje indicam que os socialistas do opositor Pasok têm seis pontos percentuais de vantagem em relação ao governamental Nova Democracia nas intenções de voto.

Além disso, espera-se que o chefe do Governo, o ministro Costas Caramanlis, anuncie em breve a queda de vários ministros supostamente envolvidos em casos de corrupção.

Também há especulações sobre o futuro do ministro do Ensino, Evripidis Stylianidis, a quem os milhares de estudantes - que são o núcleo principal dos protestos - exigem mais recursos para o ensino.

As ocupações de centros de ensino e a ausência de aulas continuam em mais de 700 estabelecimentos de ensino médio do país. EFE afb/ab/db

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