Atenas segue sob ameaça dos incêndios florestais depois de 4 dias

Adriana Flores Bórquez. Atenas, 24 ago (EFE).- Aproximadamente 17 mil hectares de floresta devastados e 150 imóveis destruídos fazem parte do balanço oficial dos incêndios que ameaçam Atenas pelo quarto dia seguido.

EFE |

Durante a tarde, a brigadas de bombeiros, que há quatro dias trabalham sem descanso, tinham conseguido controlar o foco mais próximo à cidade, a cerca de 20 quilômetros ao noroeste da capital, embora o forte vento tenha voltado a reacender as chamas pouco depois.

O risco de este incêndio aumentar obrigará o Governo da Grécia a disponibilizar um forte sistema de segurança em um perímetro de 40 quilômetros ao redor do monte Pendelis, informaram os bombeiros.

No entanto, a principal preocupação está no foco fora de controle situado a 60 quilômetros de Atenas, onde as chamas já chegaram ao balneário do Porto Germeno.

A situação na região é tão delicada que as autoridades pediram aos habitantes que abandonem suas casas, enquanto a Marinha Mercante preparou três embarcações para retirar a população da área "se for considerado necessário no fim do dia", anunciou o porta-voz do Governo grego, Evangelos Antonaros.

As equipes anti-incêndio estão tendo dificuldade para extinguir o fogo, iniciado no monte Kitharona, devido aos fortes ventos de até 70 km/h.

As rajadas de vento dificultaram a valiosa ajuda dos aviões no combate ao fogo, que não puderam decolar durante a manhã. Somente os helicópteros participaram nas atividades de extinção do fogo durante boa parte do dia.

Hoje mesmo, o Governo espanhol anunciou que dois aviões Canadair 415 da Força Aérea Espanhola partiram para a Grécia para se unirem às aeronaves francesas e italianas que já colaboram com as gregas nos trabalhos de extinção. Turquia e Chipre também anunciaram o envio de aviões cisterna.

Além disso, 900 soldados e bombeiros lutam contra o fogo no noroeste de Atenas.

O Governo grego reconheceu hoje que a situação é "séria e difícil", devido ao vento, enquanto a oposição e os ecologistas acusaram o Executivo conservador de falta de prevenção e de não dispor de um plano efetivo para combater os incêndios.

Segundo um primeiro cálculo do Ministério de Obras Públicas, nos quatro últimos dias, nas imediações de Atenas, 150 imóveis foram destruídos total ou parcialmente.

As extensões de florestas queimadas chegam a 17 mil hectares e as Prefeituras começarão amanhã a análise exata dos danos e do número de deslocados pelo fogo.

Por enquanto, as autoridades não forneceram dados oficiais de feridos, mas a imprensa local informou que um bombeiro sofreu lesões no pé e que várias pessoas foram atendidas em hospitais por problemas respiratórios leves.

No mosteiro de Ágios Efrem, em Nea Makri, 12 freiras foram obrigadas a deixar sua residência como medida de precaução, durante a noite de domingo.

"Estamos rezando e temos fé de que nada acontecerá, com a ajuda dos bombeiros e das zonas antifogo que criamos nestes dias", disseram as freiras ao canal "Alpha".

A Prefeitura de Atenas ofereceu alojamento para 300 pessoas em um camping da cidade, para acolher os desabrigados pelos incêndios dos últimos dias.

A Igreja ortodoxa disponibilizou outras 300 vagas em diferentes alojamentos da capital.

Um porta-voz do grupo ambientalista WWF advertiu, em declarações à Agência Efe, que o dano causado pelos incêndios agravarão ainda mais a situação ambiental na capital grega, já que o desaparecimento de massa florestal provocará que um aumento do aquecimento no ar, o que aumenta o perigo de erosão e inundações.

Fora da capital, os dirigentes locais de Karistos, na ilha grega de Eubea, criticaram as autoridades por terem concentrado os recursos anti-incêndios na cidade de Atenas e as acusaram de não terem se preocupado com o foco que afeta a ilha, há três dias. EFE afb-as/pd

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