Até onde a internet pode nos levar?

Por Violeta Molina Gallardo. Redação Central, 24 mar (EFE).- Não há dúvidas de que a internet interferiu na globalização, facilitou o acesso à informação e revolucionou a forma de trabalhar e de fazer negócios, mas será que sua repercussão é grande suficiente para determinar um novo passo na evolução da espécie?.

EFE |

O "Pew Research Center" está empenhado em prever o futuro da internet e investigar se a rede está afetando a inteligência humana.

Para isso, pediu a quase 900 especialistas e usuários qualificados de internet que prevejam o cenário da rede em 2020.

Os entrevistados, que responderam a perguntas pelo e-mail, Facebook e Twitter, pertencem a diferentes âmbitos: universidades, Governos, empresas privadas, imprensa ou consultorias independentes.

Ao contrário da opinião do tecnólogo Nicholas Carr, que afirma que o Google, paradigma da internet, nos torna estúpidos, 76% dos participantes acredita que a rede terá potencializado a inteligência humana no ano 2020 graças, entre outras coisas, ao acesso a um maior volume de informação, o que permitiria adotar melhores decisões.

Para 65%, a internet vai contribuir para a melhoria da capacidade de leitura e escrita e para uma melhor gestão do conhecimento.

Ismael Peña-López, doutor em Sociedade da Informação e professor da Universidade da Catalunha (Espanha) está convencido de que a rede propicia a evolução da espécie porque faz com que as pessoas abandonem certas atividades mentais menores e passem a realizar outras de "maior complexidade e abstração".

"É um salto espetacular à medida que liberta nosso cérebro das tarefas mais rotineiras e de menor valor agregado e nos deixa ocupá-lo em outras que têm mais impacto. (...) As rotinas que levariam dias ou horas para serem feitas são realizadas em segundos no computador, e deixamos ao cérebro que faça os trabalhos mais complexos, que costumam ser os de encontrar patrões de comportamento e unificar ideias que pareciam isoladas", indica Peña-López.

No entanto, apesar de os internautas otimistas serem maioria, não se deve desprezar os 21% da amostra que respaldam a hipótese de Carr: um uso excessivo de internet poderia chegar a diminuir o coeficiente intelectual das pessoas.

Para Carr, a rede modifica a direção da inteligência, que deixa de lado sua faceta reflexiva ou contemplativa atrás de uma mais utilitária.

"Nossa dependência de internet está mudando a ênfase do pensamento. Estamos nos tornando especialistas em escanear rapidamente e em ler por alto muitas peças pequenas de informação, mas estamos perdendo nossa profundeza de pensamento e a leitura intensiva, o que requer concentração e ausência de distração.

Estamos nos tornando mais superficiais", disse, em entrevista à agência Efe.

Jeska Dzwigalski, da Linden Lab, empresa criadora do mundo de realidade virtual "Second life", assegura que um acesso instantâneo à resposta a qualquer pergunta não implica que esta seja entendida, por isso seguirá sendo necessário que a interferência das instituições educativas incidam no pensamento crítico.

Entre os defensores e os críticos de internet há um grupo cético, que mostra divergências e coincidências em ambas correntes.

Entre eles, Marcel Bullinga, do site "futurecheck.com", que considera que as novas tecnologias proporcionarão máquinas inteligentes nas quais o ser humano programará a realização de certas tarefas, o que provocará a perda de algumas aptidões (como saber ler um mapa para dirigir), mas por sua vez contribuirá para escolher melhor entre múltiplas possibilidades.

E então, em 2020 seremos mais espertos ou mais tolos graças ao Google e à internet? Por enquanto, só há previsões, e a ciência vai mostrar a hipótese vencedora. EFE vmg/fm

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