Johanesburgo, 23 mai (EFE).- A onda de xenofobia que afeta a África do Sul desde o início da semana passada se estendeu a novas áreas, e chegou nas últimas horas a Cidade do Cabo, a segunda cidade mais populosa do país, segundo fontes policiais.

Os distúrbios, que tiveram início nos bairros mais pobres de Johannesburgo, começaram a propagar-se na terça-feira passada, quando uma taberna freqüentada por nigerianos foi atacada e saqueada por habitantes sul-africanos na cidade de Durban.

Fontes policiais confirmaram hoje que grupos de pessoas atacaram ontem à noite estrangeiros que moram no bairro de Milnerton, na Cidade do Cabo, em uma onda de violência que deixou 12 feridos e uma pessoa morta acidentalmente.

Embora inicialmente houvesse se informado que o falecido era um estrangeiro que havia sido assassinado durante o surto de xenofobia, a Polícia explicou hoje que ele, na verdade, faleceu quando foi atropelado por um veículo durante um dos protestos.

"O caso não está relacionado aos ataques (xenófobos). Essa pessoa foi atropelada por um automóvel quando as agressores estavam atacando estrangeiros", disse o porta-voz policial Billy Jones.

A fonte acrescentou que entre os 12 feridos está um adolescente de 14 anos. Algumas lojas de estrangeiros e sul-africanos ficaram destruídas, houve 15 detidos e cerca de 500 pessoas buscaram refúgio na delegacia do bairro.

Na província de North West, três imigrantes ficaram feridos por punhaladas e quatro lojas de proprietários paquistaneses foram saqueadas, o que levou à detenção de 15 pessoas.

O comissário Lesego Metsi, de North West, no noroeste da África do Sul, informou hoje que, por conta dos ataques, mais de cem pessoas procuraram as dependências policiais para buscar refúgio.

Metsi declarou aos jornalistas que a possibilidade de pedir reforços não está descartada.

"Estamos utilizando o máximo de recursos possível, mas assim que chegamos à cena de um crime recebemos informações de que há outro incidente em alguma outra parte", especificou Metsi.

Enquanto, em Durban, um imigrante procedente de Malaui ficou ferido à bala, ontem à noite aproximadamente 300 estrangeiros foram a uma delegacia solicitar proteção às forças policiais.

Na província oriental de Kwazulu-Natal, dez pessoas foram detidas acusadas de atacar imigrantes, informou hoje o responsável de segurança da zona, Bheki Zele.

Desde que explodiu o surto de violência xenófoba, mais de quarenta pessoas já perderam a vida e 25 mil precisaram buscar refúgio em delegacias e edifícios públicos.

Na quarta-feira passada, o Governo de Thabo Mbeki ordenou ao Exército que apoiasse os trabalhos da polícia na luta contra esta onda de violência. EFE hc/fh/gs

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