Agus Morales. Mumbai (Índia), 1 dez (EFE).- Os terríveis ataques terroristas no coração financeiro da Índia fizeram hoje novas vítimas políticas, desta vez na cúpula governamental da região que tem Mumbai como capital.

Após a renúncia ontem do ministro de Interior indiano, Shivraj Patil, o chefe do Governo de Maharashtra, Vilasrao Deshmukh, pôs hoje o cargo nas mãos de sua legenda, o Partido do Congresso, que também governa na Índia.

"Aceito a responsabilidade moral pelos ataques terroristas e ofereci minha renúncia", afirmou, segundo informaram as agências indianas.

Além disso, Deshmukh, que agora aguarda a decisão de seu partido, aceitou a renúncia que lhe apresentou hoje seu vice, R.R. Patil, que admitiu também se sentir "responsável" por um massacre que deixou 188 mortos e 327 feridos, segundo uma fonte policial consultada pela Agência Efe.

O Partido do Congresso tenta responder assim às críticas contra o Governo pelos erros de informação das agências de inteligência e a lentidão de suas forças de elite, que chegaram a Mumbai um dia depois do início do assalto terrorista.

O único detido nos ataques, Ajmal Amin, confessou que dez terroristas partiram da cidade portuária de Karachi em um navio paquistanês e, no caminho, abordaram uma embarcação indiana para alcançar a costa de Mumbai, não sem antes matar seus ocupantes.

Segundo uma fonte da investigação citada pela agência "PTI", Amin insistiu em que os ataques não contaram com a colaboração de nenhum cidadão indiano.

No entanto, a Polícia de Mumbai está buscando um agente que o gângster Dawood Ibrahim, acusado de ser o cérebro dos atentados de Mumbai de 1993, supostamente tem na cidade e que poderia ter proporcionado ajuda logística aos terroristas.

Além disso, um funcionário do Governo regional da Caxemira indiana está sendo interrogado por seu suposto envolvimento nos atentados, segundo uma fonte policial citada pelo "PTI".

A inteligência indiana interceptou chamadas do funcionário nas quais conversava durante os ataques com um suposto membro do grupo islamita Lashkar-e-Toiba (LeT), que o Governo suspeita que está por trás dos ataques.

Hoje uma equipe de sete membros do FBI (Polícia federal americana) chegou ao centro financeiro da Índia para se reunir com responsáveis das forças de segurança e analisar as provas disponíveis.

A situação em Mumbai começou a se normalizar, incluindo o tráfego, as escolas, mercados e comércios, que apresentam seu aspecto habitual.

O hotel Oberoi, um dos pontos atacados pelos terroristas, reabrirá suas portas "em dez ou 12 dias", segundo uma fonte do grupo hoteleiro citada pela "PTI".

As tarefas de limpeza e restauração do imponente edifício continuam em andamento, enquanto uma instituição de gestão do patrimônio cultural já se ofereceu para restaurar a "beleza original" do histórico hotel Taj Mahal.

A reparação do monumento, que teve sua cúpula e sua ala leste seriamente danificadas por causa das explosões que se registraram em seu interior, custará cerca de US$ 100 milhões, segundo os especialistas.

As autoridades indianas disseram ter provas suficientes de que os terroristas envolvidos nos ataques procediam do Paquistão.

Para evitar a deterioração das relações com a Índia, o Governo paquistanês assegurou hoje ao embaixador indiano em Islamabad, Satyabrata Pal, que "os canais diplomáticos entre os dois países estão totalmente operacionais" para trocar informação sobre os atentados de Mumbai e ofereceu cooperação na investigação dos ataques.

Segundo um comunicado divulgado pelo Ministério de Relações Exteriores, o chefe da delegação indiana se reuniu hoje com o secretário da diplomacia paquistanesa, Salman Bashir.

No entanto, o porta-voz do Shiv Sena (Exército de Shiva), partido que governa o município de Mumbai, Manohar Joshi, criticou os assaltos terroristas: "Este ataque foi inesperado. Pegou o Governo desprevenido".

Em entrevista à Efe na sede deste partido fundamentalista hindu, ele insistiu em que a Índia deve "deter" seu diálogo com o Paquistão e passar para a "ação".

"O Governo paquistanês sempre apoiou o terrorismo, direta ou indiretamente", insistiu o ex-chefe do Governo de Maharashtra (1995-1999).

"A idéia de nosso partido é que todos os católicos ou muçulmanos que vivem na Índia são hindus. Os que trabalham para o Paquistão são má gente, não são hindus", disse.

O Shiv Sena é um dos grupos que se consolidaram durante as últimas duas décadas como defensores da essência "hindu" do gigante asiático e que reivindicaram mais mão dura contra o terrorismo islâmico. EFE amp/ab/plc

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.