Ataques terroristas deixam 80 mortos na Índia

Pelo menos 80 pessoas foram mortas na noite desta quarta-feira em Mumbai, em uma série de ataques conduzidos por homens armados com fuzis e granadas, principalmente contra grandes hotéis da cidade, informaram diversas fontes.

AFP |

"Terroristas abriram fogo em pelo menos sete ou oito locais" da capital econômica da Índia, declarou à rede de televisão NDTV o oficial de polícia A. N. Roy.

Segundo fontes médicas e funcionários do governo estadual, os ataques mataram cerca de 80 pessoas e deixaram mais de 200 feridos.

A ação foi realizada pelo autodenominado Mujahedines do Deccan, informou a agência Press Trust of India.

Um dos alvos do ataque foi o hotel cinco estrelas Taj Mahal, que pegou fogo durante um tiroteio entre comandos militares e homens armados, que mantinham estrangeiros como reféns.

As chamas atingiram os andares superiores deste histórico hotel, um dos epicentros da ação terrorista.

"Não sabíamos o que realmente ocorria. Foram seis horas terríveis", disse uma hóspede do Taj Mahal, que permaneceu deitada no chão ao lado de outras 25 pessoas, enquanto os terroristas trocavam tiros com comandos da Marinha.

As unidades antiterroristas agiram no final da noite para desalojar os terroristas no hotel, onde mantinham dezenas de reféns.

"Eram muito jovens, quase meninos, e vestiam jeans e camisetas", revelou um hóspede britânico sobre os terroristas. "Queriam estrangeiros, britânicos ou americanos", para tomar como reféns.

Às 06H00 local (22H30 GMT), ainda havia homens armados no interior do Taj Mahal mantendo reféns. Uma mulher disse por telefone a um canal de TV que era mantida com outras 35 pessoas em um quarto: "Atiraram em nós e um homem está ferido no estômago".

Além do Taj Mahal, outro hotel de luxo da cidade, o Trident, foi alvo do ataque.

A polícia informou que dois homens armados foram mortos no Taj Mahal. O chefe da unidade antiterrorista de Mumbai, Hemant Karkare, também faleceu durante a operação contra os terroristas no hotel.

No momento do ataque, se encontrava no Taj Mahal a presidente do governo de Madri, Esperanza Aguirre, que escapou ilesa, disse à AFP um porta-voz do executivo regional.

Vários homens armados com AK-47 também atacaram a estação central de Mumbai, abrindo fogo e lançando granadas no hall de passageiros, revelou A. K. Sharma, chefe da polícia ferroviária de Mumbai. Pelo menos 10 pessoas morreram neste ataque.

O departamento americano de Estado condenou os "terríveis" atentados em Mumbai e destacou que segue atentamente o desenrolar da situação.

"Condenamos firmemente os atentados terroristas que ocorreram em Mumbai", declarou o porta-voz do departamento de Estado, Robert Wood.

"Manifestamos nossas condolências aos parentes e amigos das vítimas e à população de Mumbai", destacou Wood em uma declaração.

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, também condenou os atentados, que qualificou de "intoleráveis.

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, condenou os atentados e disse que os Estados Unidos devem trabalhar para estreitar seus vínculos com a Índia e com outras nações para "eliminar pela raiz e destruir as redes terroristas".

"Esses ataques coordenados contra civis inocentes mostram a ameaça grave e urgente que o terrorismo representa", declarou o porta-voz de Obama sobre Segurança Nacional, Brooke Anderson, em uma nota.

"Os Estados Unidos devem continuar fortalecendo sua aliança com a Índia e nações de todo o mundo para rastrear e destruir as redes terroristas".

O comunicado acrescenta: "O presidente eleito Obama condenou, fortemente, os atentados terroristas de Mumbai ocorridos hoje e transmite seus pêsames e orações às vítimas, às suas famílias e ao povo da Índia".

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, condenou a série de atentados e defendeu a punição dos culpados.

"Semelhante violência é totalmente inaceitável. O secretário-geral reafirma sua convicção de que nenhuma causa pode justificar atentados cegos contra civis e pede que seus autores sejam levados rapidamente à Justiça".

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