Ataques racistas deixaram quase 300 mortos em 5 anos na Rússia

Moscou, 25 nov (EFE).- Quase 300 pessoas morreram nos últimos cinco anos na Rússia por causa dos cada vez mais freqüentes ataques de xenofobia, denunciou hoje o diretor do Escritório de Direitos Humanos de Moscou, Aleksandr Brod.

EFE |

"O número de vítimas fatais dos ataques racistas aumentou de 25 em 2004 para 113 em dez meses deste ano, e soma quase 300 pessoas na última meia década", disse Brod à agência "Interfax".

O ativista disse que, em 2004, houve 69 ataques, que deixaram 25 mortos e mais de 85 feridos, e, no ano seguinte, outras 25 pessoas morreram e quase 200 ficaram feridas em 200 ataques.

Em 2006, foram registrados 210 ataques, com 56 mortos e 340 feridos, enquanto, no ano passado, 74 pessoas perderam a vida e 320 ficaram feridas em 230 ataques de xenofobia.

De janeiro a outubro deste ano, "registramos 256 ataques motivados pela xenofobia, com um resultado de 113 mortos e pelo menos 344 feridos", acrescentou Brod.

A Polícia de Moscou informou hoje que, no sudoeste da capital russa, foi encontrado o cadáver de um cidadão uzbeque com vários ferimentos de arma branca, possível vítima de outro ataque dos neonazistas.

Segundo o mais recente relatório do escritório, os uzbeques foram este ano a etnia mais perseguida pelos racistas, que concentram seus ataques em pessoas procedentes do Cáucaso e da Ásia Central e em estudantes africanos, asiáticos e latino-americanos.

Assim, neste ano, a maioria dos ataques foi cometida contra uzbeques (17 mortos e 22 feridos), quirguizes (10 e 5), tadjiques (9 e 35), russos (8 e 34), azerbaijanos (8 e 23) e armênios (4 e 3).

A presença de russos entre as vítimas se deve aos cada vez mais freqüentes ataques a representantes de diversas subculturas, em particular os "antifascistas", que lutam contra o racismo.

O Escritório de Direitos Humanos de Moscou denuncia que, no segmento russo da internet, atualmente operam cerca de 800 sites de conteúdo ultranacionalista, e que no país há até 70 mil militantes de organizações racistas e neonazistas. EFE si/an

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