Ataques na Noruega seriam terrorismo doméstico, diz policial

Segundo fonte, ataques contra Oslo e acampamento juvenil não parecem ter relação com terror islâmico; jihadistas desmentem autoria

iG São Paulo |

Um terrorista doméstico causou a explosão que destruiu prédios no coração do governo da Noruega e depois invadiu um acampamento de verão para a juventude, onde disparou contra jovens e os forçou até a nadar por suas vidas , disse um policial nesta sexta-feira. Os ataques deixaram ao menos 17 mortos na pior violência nessa nação pacífica desde a Segunda Guerra Mundial.

De acordo com uma fonte policial, o suspeito de etnia norueguesa de 32 anos, que foi preso em um acampamento na ilha de Utoya, parece ter atuado sozinho em ambos os ataques, "parecendo haver nenhum vínculo com qualquer organização terrorista internacional".

A fonte falou sob condição de anonimato pelo fato de a informação não ter sido divulgada oficialmente pela polícia da Noruega. "Não parece ter relação com o terror islâmico", disse. "Parece mais o trabalho de um homem louco." Apesar dessas declarações, o policial afirmou que a investigação sobre o caso ainda continua.

Mais cedo, um grupo desconhecido chamado de "Ajudantes da Jihad (Guerra Santa) Global" divulgou uma mensagem reivindicando as ações, afirmando que elas eram apenas o início da reação à publicação, por jornais noruegueses, de charges de Maomé e pelo envolvimento da Noruega na Guerra do Afeganistão. Posteriormente, porém, o grupo se retratou na internet e desmentiu que tivesse lançado os ataques.

O ministro da Justiça norueguês, Knut Storberget, confirmou que um suspeito preso no acampamento, onde há ao menos dez mortos, é norueguês. Segundo a polícia, o atirador, que teria usado uma arma automática na ação, tem vínculos com a explosão em Oslo. Segundo o chefe de polícia interino Sveinung Sponheim, o homem foi visto na capital norueguesa antes da explosão. Segundo a mídia norueguesa, o atirador teria sido identificado como Anders Behring Breivik, um ativista da extrema direita.

Em uma coletiva, o primeiro-ministro da Noruega, Jens Stolenberg, condenou nesta sexta-feira os ataques, e prometeu encontrar os culpados e responsáveis pela ação, afirmando que os atentados em Oslo e na ilha de Utoya criarão "mais abertura e mais democracia" no país. "Você não nos destruirá. Não destruirá nossa democracia ou nossos ideais para um mundo melhor", disse, dirigindo-se aos reponsáveis pelos atentados.

"Ninguém nos silenciará nos explodindo. Ninguém nos silenciará atirando em nós. Ninguém nunca nos impedirá de sermos a Noruega", afirmou. Stoltenberg também afirmou que a polícia teme que o número de mortos no acampamento supere dez. Antes da coletiva, ele havia conclamado a população do país a não se entregar ao medo .

De acordo com fontes policiais, explosivos não detonados foram encontrados na ilha. Após ação do atirador, o chefe da polícia da Noruega, Anstein Gjengdal, anunciou o envio de forças antiterroristas para o local, a 40 quilômetros da capital do país, onde ocorria um encontro do governista Partido Trabalhista. Imagens da TV da Noruega feitas por helicóptero mostraram pessoas nadando na costa da ilha de Utoya, supostamente depois de terem se lançado às águas para escapar do atirador.

De acordo com a mídia norueguesa, a polícia a desmentiu informação divulgada previamente de que o atirador usava um uniforme policial no momento do ataque. Na verdade, ele estaria com um abrigo azul que tinha um distintivo. A polícia também informou que o suspeito nunca trabalhou para a corporação.

De acordo com a AFP, o primeiro-ministro norueguês compareceria a um comício da ala juvenil de seu partido no local no sábado, quando faria um discurso. No local estavam reunidas quase 600 pessoas. O ex-premiê Gro Harlem Brundtland participaria do encontro nesta sexta-feira.

A grande explosão no centro de Oslo atingiu o quartel-general do governo, deixando ao menos sete mortos e dez feridos. Citado pela Bloomberg, o porta-voz da polícia Oeivind Oestang confirmou que a explosão foi causada por uma bomba. Os Estados Unidos e o Reino Unido condenaram os ataques e se colocaram à disposição para ajudar autoridades norueguesas .

A Noruega, que é membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), foi ameaçada previamente por líderes da rede terrorista Al-Qaeda por seu envolvimento no Afeganistão. O sucessor de Osama Bin Laden na organização, Ayman Al-Zawahiri , citou o país como um dos possíveis alvos de ataque. Segundo o Ministério de Relações Exteriores, a Noruega tem quase 700 soldados no país asiático. Apesar disso, a violência política é praticamente desconhecida no país.

Veja no mapa os locais dos ataques:

Arte/ iG
Capital Oslo e ilha de Utoya são alvos de atentados na Noruega
*Com Reuters, AP e BBC

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