Ataques na França favorecem Sarkozy, afirma opositor Villepin

Apesar da admissão, ex-premiê francês diz que corrida eleitoral está só no início; suspeito por ataques foi morto na quinta-feira

Maria Fernanda Ziegler, enviada a Manaus* |

O ex-primeiro ministro da França  (2005-2007), 58, afirmou nesta sexta-feira que os três ataques lançados entre 11 e 19 de março na região de Toulouse, no sudoeste da França, favoreceram o presidente francês, Nicolas Sarkozy. “Os últimos acontecimentos em Toulouse deixaram Sarkozy mais fortalecido, mas estamos apenas no começo da corrida eleitoral”, disse em Manaus durante participação no Fórum Mundial de Sustentabilidade, que vai até o dia 24.

Consequência: Ataques e cerco policial podem beneficiar candidatura de Sarkozy

Imagem Paulista
Ex-primeiro-ministro Dominique de Villepin participa de Fórum Mundial de Sustentabilidade, em Manaus
Saiba mais: Veja cronologia dos ataques e do cerco a suspeito na França

Villepin, que anunciou em dezembro sua intenção de disputar as eleições presidenciais em 22 de abril e 6 de maio deste ano, não conseguiu as 500 assinaturas necessárias de prefeitos para formalizar a candidatura pelo seu partido independente de centro-direita República Unida.

Num período de nove dias, sete pessoas foram mortas na área de Toulouse - três militares , um rabino e três crianças de uma escola judaica de Ozar Hatorahd. Na quinta-feira, o suspeito pelos ataques, o franco-argelino Mohamed Merah , 23 anos, foi morto com um disparo na cabeça dado por um franco-atirador da polícia de elite francesa após um cerco de 32 horas.

De acordo com autoridades, viajou para o Afeganistão e Paquistão para treinamento e afirmou ter vínculos com a rede terrorista Al-Qaeda .

Fim do cerco de 32 horas: Suspeito foi morto por franco-atirador com tiro na cabeça

“É difícil interpretar o que aconteceu em Toulouse. Hoje temos dificuldade em estabelecer um vínculo entre a pessoa que fez essa matança e a Al-Qaeda. Apesar de ele ter falado que pertencia à organização, que recebeu instruções dele durante viagem ao Paquistão, não encontramos essa ligação”, disse.

Para Villepin, a resposta para os atentados terroristas precisa ser a cooperação entre os países. “Qualquer tipo de informação dos serviços de inteligência deve ser dividido entre os países que são alvo dessas ações”, afirmou.

Ainda sobre a corrida eleitoral, Villepin afirmou que há uma importante vantagem para o Partido Socialista, cujo candidato é François Hollande . Ele espera que a insatisfação da população com a crise econômica estimule a busca do eleitor por uma alternativa de governo. “Quando se está no meio de uma crise financeira é difícil fazer as coisas muito bem”, afirmou.

Questionado sobre o peso que o escândalo que envolveu o ex-presidente do Fundo Monetário Internacional (FMI) Dominique Strauss-Kahn teve na corrida presidencial francesa, Villepin afirmou que o caso não tem influencia nas eleições e no Partido Socialista, “apenas no destino do próprio Strauss-Kahn”.

*A repórter viajou a convite do Fórum Mundial de Sustentabilidade

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