Ataques matam 31 e deixam 100 feridos no Iraque

BAGDÁ - Dois ataques suicidas coordenados deixaram pelo menos 24 mortos e mais de 100 feridos nesta quarta-feira em Ramadi, a oeste de Bagdá e no centro da região árabe sunita do Iraque. Em um ataque separado, a explosão de uma bomba em uma estrada matou sete peregrinos iraquianos no norte de Bagdá.

Reuters |

Os ataques, lançados na frente da sede do governo provincial da cidade, que é a capital da enorme e desértica Província de Anbar, feriram o governador sunita Qassim Mohammed, que foi levado por forças americanas à capital iraquiana para atendimento médico. Previamente, a televisão estatal Al-Iraqiya anunciou que Mohammed havia morrido nos ataques.

Fontes hospitalares e policiais informaram que Sadoon Khraibit, membro do conselho provincial de Anbar, e o vice-comandante de polícia da província também ficaram feridos nas explosões.

Em um ataque separado, a explosão de uma bomba em uma estrada matou sete peregrinos iraquianos que retornavam de uma importante festa religiosa sunita, informou a polícia. Pelo menos 25 outros peregrinos ficaram feridos no ataque em Khalis, 80 quilômetros ao norte de Bagdá.

Os ataques revelam a tenacidade da insurgência, apesar de uma redução notável na violência geral no país. O Iraque está passando por um período delicado antes das eleições nacionais, marcadas para março, e enquanto as forças dos EUA se prepararam para encerrar suas operações de combate em meados de 2010.

A polícia de Ramadi disse que os ataques ocorreram com um breve intervalo na cidade, localizada a 100 quilômetros de Bagdá. Entre os mais de 100 feridos, muitos são integrantes das forças de segurança iraquianas.

O coronel da polícia Jabbar Ajaj disse que a primeira explosão, na qual um suicida detonou explosivos em um veículo, foi seguida logo após por um segundo ataque, dessa vez realizado por um suicida a pé.

A primeira explosão ocorreu perto do comboio do governador quando ele ia ao trabalho, disse a polícia. Uma fonte do hospital de Ramadi informou que o governador estava no local da primeira explosão, inspecionando os danos, quando o segundo suicida atacou.

Um dos suicidas estava trabalhando como segurança do governador, de acordo com a TV Iraqiya. A polícia disse que Mohammed seria um dos alvos do ataque.

"Eu estava andando até algumas lojas ao lado do complexo do governo provincial quando houve uma explosão enorme. Voei pelo ar e, quando acordei, estava no hospital", contou Ahmed Mahmoud, morador de Ramadi, de 30 anos.

Sunitas divididos

No hospital de Ramadi, médicos cercavam policiais feridos deitados sobre macas. Um dos feridos era um pequeno bebê cujas fraldas e camiseta branca estavam manchados de sangue.

Anbar, coração da insurgência islâmica sunita iraquiana que se seguiu à derrubada de Saddam Hussein, em 2003, tornou-se um lugar relativamente seguro desde 2006, quando líderes tribais locais passaram a apoiar as unidades de guardas de base que combatem a Al-Qaeda.

Mas uma onda de ataques recentes estimulou o receio de que a violência em Anbar possa aumentar antes das eleições de março. Muitos da minoria sunita iraquiana - que dominou o país sob o governo de Saddam Hussein - temem que a maioria xiita possa alijá-los do poder de maneira permanente.

Os sunitas não formaram um bloco eleitoral unido, como fizeram em eleições passadas. Em vez disso, formaram alianças com xiitas e outros, passando por cima das divisões sectárias.

A iniciativa pode refletir um cálculo estratégico sobre a insatisfação dos eleitores com os partidos religiosos governistas, além de discordâncias internas na liderança sunita.

Os ataques em Anbar vieram após uma série de explosões em grande escala em Bagdá, que o primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki atribuiu à Al-Qaeda e ao partido Baath, de Saddam.

"A Al-Qaeda e outros grupos estão tentando desestabilizar a segurança na província antes das eleições. A não ser que a polícia faça seu trabalho, os desafios desse tipo crescerão," disse Jassim Mohammed, chefe do conselho de Anbar.

    Leia tudo sobre: ataqueiraqueterrorismo

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG