Ataques em Mumbai chamam atenção mundial para onda de atentados na Índia

Julia R. Arévalo.

EFE |

Nova Délhi, 2 dez (EFE).- Os atentados em Mumbai chamaram a atenção do mundo para o terrorismo, não só de origem islâmica, que a Índia sofre há décadas e que dessa vez atingiu o estado de Assam, no nordeste do país, com a explosão de uma bomba em um trem que deixou três mortos e 30 feridos.

O atentado ocorreu em um trem de passageiros parado na estação de Diphu, cerca de 300 quilômetros ao leste de Guwahati, principal cidade do estado de Assam, informou um porta-voz policial citado pela agência indiana "Ians".

Uma pessoa morreu no momento da explosão, e outras duas que foram levadas ao hospital local também não resistiram, segundo a fonte, que acrescentou que "há um grande número de mulheres e crianças entre os feridos", seis dos quais estão em estado grave.

A ação foi reivindicada horas depois por um porta-voz da Frente de Libertação Nacional Karbi Longri (KLNLF), que luta pela independência para a majoritária tribo Karbi em Assam.

Em 30 de outubro, Assam foi palco de uma série de explosões em quatro cidades do estado, que causaram a morte de 95 pessoas e deixaram outras 300 feridas.

Os atentados foram reivindicados pelo grupo fundamentalista Forças de Segurança Islâmicas, mas o Governo regional acusa dois grupos separatistas: a Frente Nacional Democrática de Bodoland (NDFB), que luta pela independência para a tribo Bodo, e a Frente Unida de Libertação de Assam (Ulfa), que reivindica a independência da região.

Nos últimos anos, o complicado nordeste da Índia foi palco de uma ação sangrenta de grupos separatistas: em quase 1.500 ações violentas registradas em 2007, 498 civis e 79 agentes de segurança morreram, segundo dados oficiais.

A violência no nordeste, onde os separatistas recorrem cada vez mais a ataques contra civis em lugares movimentados como mercados, causou mais vítimas que a ação terrorista dos maoístas em vários estados do centro e do leste do país e até mesmo que a ação dos caxemirianos.

Ao grande atentado múltiplo de outubro em Assam seguiu o que na semana passada aterrorizou a cidade portuária de Mumbai durante três dias, com 188 mortos e mais de 300 feridos pela ação de um comando terrorista islâmico.

O ataque a Mumbai - uma cidade que sofreu os piores ataques da história do terrorismo na Índia, com 257 mortos em março de 1993, outros 52 em agosto de 2003 e 185 em julho de 2006 - voltaram a aterrorizar o povo indiano.

Nos últimos seis meses, quase 500 pessoas morreram em atentados nos principais centros urbanos do país - Nova Délhi, Bangalore, Jaipur, Guwahati, Ahmedabad e Mumbai - e na embaixada indiana em Cabul, no Afeganistão.

A maioria dos ataques foi reivindicada por um novo grupo chamado Indian Mujahedin, que os investigadores indianos associaram ao ilegal Movimento Estudantil Islâmico da Índia (Simi).

Entretanto, para os indianos, os ataques a Mumbai são seu 11 de Setembro, pois evidenciaram sua vulnerabilidade, explicou à Agência Efe um especialista em terrorismo, para quem esta foi a primeira ação inspirada na Al Qaeda em solo indiano.

"A Índia é alvo (do terrorismo) há muitos anos, embora agora isso esteja começando a ser visto de forma palpável", disse a fonte.

Na sua opinião, o próprio Governo "fez o possível" para não se mostrar "vulnerável frente ao radicalismo islâmico".

O desconhecido grupo Deccan Mujahedin reivindicou o atentado, mas o Governo indiano acusou o Lashkar-e-Toiba (LeT), organização com base no Paquistão que luta pela anexação da Caxemira a esse país.

"O LeT não pode fazer só este massacre. Mumbai foi uma das operações mais magistrais da última fase do terrorismo islâmico", afirmou o especialista, que opinou que o ataque é obra de um "grupo mais coeso, internacional, independentemente de os atores terem sido paquistaneses".

O vestígio "de impotência e incapacidade pavorosa" que o Governo deu durante o assalto a Mumbai "mostrou a vulnerabilidade indiana", por isso que podemos esperar por mais atentados, alertou. EFE ja/ab/plc

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